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Exclusivo – Reunião interna na Ubisoft não consegue tranquilizar funcionários sobre o futuro da empresa

A Ubisoft realizou ontem uma reunião interna no formato Town Hall com perguntas e respostas para tentar transmitir confiança aos funcionários em relação às mudanças futuras da empresa.

No entanto, segundo mais de uma dúzia de empregados que falaram anonimamente à Insider Gaming, o efeito foi exatamente o oposto.

O Town Hall contou com um apresentador responsável por ler as perguntas, além do CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, da vice-presidente executiva Cécile Russeil, do diretor de pessoas Sébastien Froidefond, do CFO Frederik Duguet e da diretora de estúdios e portfólio Marie-Sophie de Waubert, em um formato de mesa-redonda.

De acordo com os relatos enviados o Insider Gaming, funcionários descreveram o Town Hall como uma verdadeira aula sobre como evitar perguntas, com executivos desviando repetidamente dos questionamentos ou reciclando respostas já dadas anteriormente.

A Insider Gaming recebeu uma gravação da reunião sob a condição de que ela não fosse tornada pública.

Yves Guillemot abriu o Town Hall reforçando mais uma vez a decisão de exigir o retorno ao escritório cinco dias por semana, afirmando:

“É uma decisão que não tomamos de forma leviana, mas acreditamos fortemente que ela trará mais eficiência, inovação e velocidade. Como já aconteceu desde que voltamos três dias por semana. Trabalhar presencialmente gera um desempenho mais forte, especialmente nas indústrias de tecnologia e criatividade.”

Yves Guillemot

Yves também abordou as preocupações sobre uma suposta “agenda oculta” para demitir funcionários, dizendo:

“Nosso único objetivo é colocar a Ubisoft de volta no caminho certo o mais rápido possível, para compartilhar sucesso e lucros. Fundei a Ubisoft com meus irmãos e, como você pode imaginar, meu objetivo é continuar fazendo a empresa prosperar por muitos anos. É graças às suas forças e talentos coletivos que vamos conseguir.”

Yves Guillemot

O apresentador afirmou que mais de 300 perguntas foram enviadas para o Q&A, com fontes destacando que algumas receberam entre 700 e 800 votos positivos, três a quatro vezes mais do que em sessões anteriores.

Quando questionados sobre o motivo, muitos disseram que isso se deve à frustração, raiva e sensação de traição causadas pelos anúncios recentes.

Retorno obrigatório ao trabalho presencial

Uma das perguntas mais votadas foi sobre a exigência de retorno ao escritório, que fará com que todos os funcionários de todos os estúdios voltem a trabalhar presencialmente cinco dias por semana.

Como já se tornou comum nas críticas a políticas de retorno ao escritório, a pergunta questionava se a Ubisoft possui dados concretos que comprovem que a produtividade e a colaboração aumentaram desde a implementação do modelo híbrido de três dias presenciais.

A diretora de estúdios e portfólio, Marie-Sophie de Waubert, respondeu:

“O que ouvimos, tanto interna quanto externamente, é que quando se trata de criatividade, quanto mais pessoas estão presentes juntas, mais todos esses aspectos que mencionamos anteriormente melhoram do ponto de vista coletivo.”

Marie-Sophie de Waubert

Marie-Sophie citou concorrentes como Riot Games, Activision Blizzard e Rockstar, que já implementaram políticas de retorno ao escritório. Ela também mencionou empresas fora da indústria de jogos, como Instagram e Paramount, entre outras, que adotaram medidas semelhantes.

“É claro que continuaremos com exceções de flexibilidade, mas dentro de uma política híbrida clara”, afirmou.

Em resposta a uma pergunta complementar sobre flexibilidade e quantos “dias em casa” seriam permitidos, Sébastien Froidefond disse que essas decisões só serão tomadas em julho.

Uma pergunta sobre o motivo de a Ubisoft não atender ao pedido dos desenvolvedores por um retorno de quatro dias ao escritório também foi descartada por Froidefond, que afirmou:

“Já explicamos isso no passado e nossa posição continua a mesma; não estamos considerando um modelo de quatro dias presenciais.”

Sébastien Froidefond

Redução significativa de funcionários

Uma das perguntas citou uma informação recente da Insider Gaming de que as medidas de corte de custos poderiam resultar na eliminação de milhares de empregos. Em resposta, Frederik Duguet afirmou:

“Antes de tudo, precisamos deixar muito claro que nunca compartilhamos esses números externamente e, como acabei de dizer, não vamos divulgar novas decisões hoje. No entanto, é verdade que seguiremos com reestruturações adicionais, pois precisamos redimensionar a organização e reduzir custos.”

Duguet acrescentou posteriormente que, nos resultados financeiros anuais divulgados em maio — referentes ao período encerrado em 31 de março de 2026 — “devemos esperar que o número de funcionários em março seja significativamente menor do que em setembro”.

Nenhum detalhe adicional foi fornecido sobre o que significa “significativamente menor”. Em setembro de 2025, a Ubisoft contava com 17.097 funcionários.

Reconhecimento da falha de comunicação

Um dos poucos pontos positivos da reunião foi o reconhecimento, por parte da Ubisoft, da falha de comunicação sobre as mudanças estruturais anunciadas.

A vice-presidente executiva Cécile Russeil admitiu que muitos funcionários souberam das alterações por meio da imprensa.

Russeil reconheceu que a decisão de realizar a sessão de perguntas e respostas ao vivo no fim do dia foi equivocada, já que os funcionários tomaram conhecimento de muitos detalhes pela mídia, e não pela empresa.

“Nós ouvimos vocês e, no futuro, vamos anexar o comunicado à imprensa a um e-mail interno, para que vocês recebam todas as informações ao mesmo tempo que a mídia e os investidores.”

Cécile Russeil

Duguet acrescentou que a Ubisoft é uma empresa de capital aberto e que “temos obrigações de divulgação com nossos investidores, o que significa, na prática, que não podemos compartilhar internamente informações sensíveis em larga escala antes de atualizar o mercado sobre esses pontos.”

Venda das “Creative Houses” ou ativos pode acontecer no futuro

Uma das maiores dúvidas da reunião girou em torno da estrutura das Creative Houses da Ubisoft e do que aconteceria caso uma delas não fosse lucrativa.

Sobre isso, o CFO Frederik Duguet afirmou:

“Primeiro, gostaria de repetir que estamos criando as Creative Houses para o sucesso. Queremos que elas vençam. Esse é o objetivo de tudo o que estamos fazendo.

É claro que precisamos ter em mente que nem todas podem ser lucrativas desde o primeiro dia, mas o elemento mais importante é que as cinco consigam projetar seu desempenho nos próximos anos e contribuir para a melhora geral dos resultados da Ubisoft.”

Frederik Duguet

Ele continuou:

“Agora, se daqui a alguns anos uma dessas unidades não for lucrativa, se tiver um desempenho abaixo das expectativas da gestão, então vamos analisar a causa raiz. Vamos discutir com o gerente geral e a equipe responsável para ver se há uma forma de levá-la à performance e à lucratividade.”

“Portanto, vender uma unidade é uma possibilidade, mas não deve ser a primeira opção. Se abrirmos essa perspectiva e essas alternativas, e encontrarmos um parceiro forte e motivado, com uma visão de longo prazo alinhada, e isso vier acompanhado de um aporte financeiro relevante para investir no futuro das marcas, se isso for bom para a unidade ou para a Ubisoft, é algo a se considerar.”

Frederik Duguet

Clima entre os funcionários da Ubisoft

Funcionários que falaram anonimamente à Insider Gaming disseram que o Town Hall fez muito pouco para acalmá-los quanto ao futuro.

Muitas das perguntas críticas foram aparentemente descartadas ou contornadas, fazendo pouco para aliviar a sensação de que a empresa enfrenta tempos incertos.


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Para mais da Insider Gaming, veja que o PS5 vendeu mais do que o Switch 2 no último trimestre. Veja também a confirmação do retorno do modo Master League ao eFootball.

Written by
Erick Oliveira
Redator

Jogador desde que me conheço por gente e observador atento da indústria. Unindo experiência prática e técnica, me dedico a cobrir os principais lançamentos e bastidores do mundo dos games…

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