Durante a Gamescom 2025 eu testei um dispositivo que tem tudo para ser revolucionário. Desenvolvido pela empresa OVR Technology, o Omara é um dispositivo que promete revolucionar o storytelling nos jogos através de uma prática inusitada: adicionando cheiros nos jogos. Isso mesmo que você leu.
Em minha conversa com David Stiller, CEO e co-fundador da OVR Technology e Sam Wisniewski, Presidente e co-fundador, a dupla de empreendedores me explicou como a ideia surgiu. Eles observaram que existia uma lacuna na indústria do entretenimento digital e resolveram combinar suas experiências prévias de empreendedorismo para criar a Omara.

A equipe é composta por vários designers, engenheiros e neurocientistas com anos de bagagem no ramo. A vantagem da Omara comparada à outros estímulos é baseada em ciência. Diferente do toque, sinais olfativos vão direto para o sistema límbico, uma região muito importante no processamento de emoções e memória.
Tudo pela imersão
David inclusive deu um exemplo perfeito de como a tecnologia pode impactar os jogos. Ele citou diretamente Marvel’s Spider-Man 2. Ao invés de investir em coisas como aumentar o tamanho da Nova Iorque virtual, o estúdio pode aplicar o dinheiro na tecnologia de cheiro, tornando a experiência de navegar pela cidade mais memorável.
No começo da conversa eu ainda estava em cima do muro sobre a tecnologia e tudo parecia um “papo” de executivo, até, claro, o teste começar. David e Sam me colocaram para jogar um mapa customizado de Minecraft. Em certos locais do mapa, um indicador visual aparecia, deixando claro que se tratava de uma área de “cheiro”. Eles me informaram que incluir um indicador visual sobre a “área interativa” é algo opcional do estúdio.
Quando cheguei perto da árvore, o protótipo da Omara, que mais parecia um carimbo parrudo, disparou um cheiro que era idêntico ao de uma floresta. A tecnologia interna dele faz ele disparar cheiros em uma velocidade programada. Na fase atual, o dispositivo conta com 16 perfis de cheiros. A equipe consegue prolongar ou encurtar a janela de tempo que a Omara “dispara” cheiros, logo, a experiência não chega a ser um incômodo.
Continuei minha exploração e David sugeriu que eu trocasse de área. Cheguei em um lugar com mar e, quando cheguei próximo a ele, imediatamente senti o cheiro da praia. A partir desse ponto, eu já estava completamente fascinado pelo dispositivo, pensando no potencial absurdo que a OVR tem em mãos.
Enquanto continuava minhas andanças pelo mundo virtual da OVR, David me explicou outra possibilidade para a Omara. O dispositivo poderia ser usado para criar um perfil de cheiro atrelado à personagens, fazendo com que eles ficassem fixados na mente do jogador. Por exemplo, durante as interações com o personagem X, a máquina dispararia o cheiro de lavanda, associando-o à esse aroma.
Continuei explorando o mapa e me deparei com um cheiro bem particular que eu senti quando eu fui em um zoológico quando era criança. Minha mãe tinha comprado um vaso de planta no formato de um palhaço. As sementes cresciam no lugar do cabelo dele. O cheiro que eu senti no jogo foi exatamente o mesmo que o palhaço tinha, desbloqueando essa memória afetiva.
Foi a partir desse momento que eu entendi a missão da OVR e tive a certeza do potencial que a Omara tem. O nível de imersão nos games já atingiu um certo limite e está cada vez mais difícil inovar na parte sonora e tátil. Contudo, o olfato ainda é uma “região” intocada e a OVR foi sagaz – e ousada – em investir nesse propósito.
Grandes pedras no caminho
É claro que a empresa tem vários desafios pela frente. O primeiro deles? Convencer as publishers e estúdios a colocarem a tecnologia em seus jogos. Após esse convencimento, que não é nada fácil, eles precisam vender os dispositivos para os consumidores finais. Eu perguntei à David e Sam sobre uma previsão de preço para o produto e eles alegaram que ainda estão mapeando o mercado para decidir o preço final.
Um ponto importante é que na fase atual, a bateria do dispositivo dura cerca de 2 horas, contudo, é possível manter ele conectado através de um cabo USB.
Julgando pelo que acontece hoje na indústria, temos estúdios que nem sequer implementam os recursos do DualSense por exemplo, logo, aplicar uma tecnologia de cheiro parece um sonho muito distante que eu espero ver se tornar real um dia.
Para a nossa sorte, existem algumas pessoas ousadas o suficiente para tentar revolucionar a indústria. Para saber mais sobre a OVR, clique aqui.
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