O co-CEO de MindsEye, Mark Gerhard, alegou em uma reunião interna com funcionários da Build a Rocket Boy que a empresa teria “identificado os responsáveis” por uma suposta campanha de sabotagem contra MindsEye, avaliada em mais de 1 milhão de euros.
A reunião, que aconteceu no fim de janeiro e foi enviada à Insider Gaming sob a condição de que o vídeo não fosse tornado público, começou com Gerhard afirmando que eles haviam “pego os caras que estavam sabotando MindsEye”.
Segundo ele, a empresa por trás da campanha seria “uma companhia americana muito grande”, mas que “provavelmente não é a empresa que você está pensando”.
Gerhard afirmou que a campanha de difamação teve um orçamento superior a 1 milhão de euros em 2025 e teria sido orquestrada pela empresa Ritual Network, descrita por ele como “um bando de gângsteres”.
De acordo com Gerhard, a empresa teria pago vários influenciadores, incluindo Cyberboi, um influenciador que Gerhard ameaçou recentemente com uma notificação extrajudicial via Discord, além de três jornalistas e funcionários da Build a Rocket Boy, com o objetivo de prejudicar a reputação de MindsEye e do estúdio.
Durante a reunião, Gerhard alegou que todos os envolvidos “serão notificados pessoalmente, com denúncias criminais, em breve”, e que as acusações incluem espionagem, sabotagem e interferência criminosa.
“Todos os envolvidos terão problemas reais, incluindo a empresa por trás disso. Este é o começo da nossa virada”, afirmou.
Ritual Network nega as acusações
A Insider Gaming entrou em contato com a Ritual Network para comentar as acusações e recebeu a seguinte resposta:
“A Ritual Network é uma plataforma de suporte a criadores e não está envolvida no assunto mencionado. Não temos conhecimento de nenhuma ação legal legítima envolvendo a Ritual Network, nem recebemos qualquer evidência que sustente essas alegações. Qualquer sugestão de que a Ritual Network esteja conectada a essas acusações é incorreta.”
Quando a Insider Gaming pediu um posicionamento da Build a Rocket Boy sobre as declarações feitas por Mark Gerhard na reunião, um porta-voz do estúdio afirmou:
“Não comentamos comunicações internas vazadas. No entanto, infelizmente, temos evidências de que houve uma campanha coordenada e maliciosa com o objetivo de prejudicar deliberadamente a reputação da Build a Rocket Boy e minar a confiança em MindsEye. Estamos trabalhando com nossa equipe jurídica e tomando medidas para lidar com a situação.”
Após as alegações feitas na reunião, Gerhard acrescentou:
“A forma como vencemos como empresa é pela qualidade dos nossos jogos, pelo amor e pela paixão que colocamos em MindsEye.”
Eles pretendem colocar os supostos envolvidos dentro de MindsEye
Ele continuou dizendo:
“Já que isso aconteceu conosco, vou assumir o controle dessa narrativa. Vamos usar essas pessoas, esses nomes e esses fatos para nossa própria diversão. Vamos colocar alguns desses nomes na nossa próxima missão de espionagem.”
A Insider Gaming entende que a próxima missão de espionagem de MindsEye será uma versão reaproveitada da missão de Hitman que foi cancelada, anunciada originalmente em junho de 2025, após a separação da Build a Rocket Boy da IOI Partners como publicadora.
“E vamos nos divertir com isso”, disse Gerhard.
“Vamos contar a história para a comunidade antes mesmo de ela se desenrolar nos tribunais. Acho que isso não nos coloca como vítimas.”
“Levamos alguns golpes. Viramos o outro rosto enquanto colocávamos a casa em ordem. E agora é hora de usar isso contra eles. No fim das contas, somos contadores de histórias, somos criadores de jogos.”
Eles estão monitorando funcionários
A reunião então avançou para Gerhard explicando por que a Build a Rocket Boy havia implementado recentemente um software de segurança cibernética aprimorado nos computadores dos funcionários sem aviso prévio.
A Insider Gaming apurou que o software se chama Teramind e, segundo uma fonte, foi instalado nos PCs dos funcionários sem o conhecimento deles.
O Teramind é uma plataforma de monitoramento de funcionários e segurança cibernética que rastreia atividades do usuário, incluindo digitação e comportamento de tela, com o objetivo de identificar ameaças internas.
“Isso me leva ao próximo ponto. Sei que houve a implementação de um software de segurança cibernética aprimorado que causou bastante confusão, desconforto e talvez até desconfiança”, disse Gerhard.
Ele afirmou que a medida foi adotada para que “a equipe de TI tente periodicamente melhorar nossas medidas de segurança” e disse que odeia “o fato de que precisamos monitorar em primeiro lugar”. Segundo ele, a empresa confia em “99,9% das pessoas”, mas o problema estaria no “0,1%”.
“Os próximos 90 dias são absolutamente críticos para este negócio”, completou.
Gerhard disse ainda que espera que as medidas de segurança cibernética possam ser removidas dos computadores dos funcionários nos próximos três meses e assumiu “total responsabilidade” pela forma como o software foi implementado e pela falha na comunicação.
A reunião terminou com Mark Gerhard afirmando que o dia 4 de fevereiro representa um “capítulo decisivo” para o jogo, que passará a operar como um serviço contínuo.
Ele ressaltou que o objetivo da chamada era compartilhar a “grande notícia” de que os envolvidos na suposta campanha de sabotagem foram identificados e que os advogados “já notificaram ou estão no processo de notificação” dessas pessoas.
Gerhard concluiu:
“Vocês terão uma chance justa de ver o jogo de vocês ser conhecido e aproveitado pelos jogadores, sem a manipulação e o comportamento criminoso que aconteceram.
Peço que tenham paciência com os controles adicionais de segurança cibernética. Eles existem apenas por tudo o que passamos.
Quero garantir que posso proteger vocês daqui para frente e que ninguém dentro da equipe seja capaz de sabotar o trabalho, as carreiras e o estúdio de vocês.”
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