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Serviços de assinatura de jogos ainda valem a pena?

Nesta semana, a Sony anunciou um aumento de até 35% para novos assinantes da PS Plus. Com isso, uma pergunta inevitável surgiu: ainda compensa investir em serviços de assinatura de jogos?

Lembro da época em que esses serviços atingiram seu auge, especialmente durante o período pandêmico.

Grandes títulos eram adicionados com frequência, os preços eram considerados acessíveis e a proposta parecia inovadora. A ideia de ter um catálogo rotativo de qualidade por uma fração do valor dos jogos avulsos conquistou muitos jogadores.

Hoje, no entanto, a realidade é outra. O que parece restar à comunidade gamer é aguardar por novos reajustes, acompanhar listas de jogos que estão deixando o catálogo e, no fim das contas, pagar caro por algo que nem sempre entrega aquilo que se deseja jogar.

Neste artigo, pretendo analisar o cenário atual dos principais serviços de assinatura de jogos, como PS Plus e Xbox Game Pass, apresentando minha opinião sobre se ainda valem a pena e refletindo sobre quais perfis de jogadores ainda se beneficiam dessas assinaturas.

PlayStation Plus: ainda faz sentido para os jogadores?

Imagem: Sony

Começando pela PlayStation Plus, serviço que foi destaque nas principais notícias da semana. A Sony revelou as novas adições do mês, recebendo diversos elogios pela inclusão de Hogwarts Legacy no catálogo.

No entanto, ao mesmo tempo, anunciou um reajuste no preço da assinatura para novos usuários, que agora custa R$ 691,90 por ano no seu plano mais alto, o Deluxe.

Quando a PlayStation Plus foi reformulada, em junho de 2022, o serviço parecia promissor. O valor anual era de R$ 389,90, considerado acessível para a época, e o catálogo oferecia jogos de todas as gerações do PlayStation.

A princípio, a proposta era excelente, especialmente para novos jogadores que não tinham uma biblioteca construída na geração do PS4.

Títulos exclusivos como The Last of Us, Marvel’s Spider-Man, God of War e Uncharted faziam parte do acervo, permitindo que o público explorasse algumas das franquias mais emblemáticas da marca.

Avançando pouco menos de três anos, o aumento é de aproximadamente 77%, sem que mudanças estruturais relevantes tenham sido implementadas.

Os jogos first-party da Sony continuam não chegando ao catálogo no lançamento, os títulos clássicos de PS1, PS2 e PSP — como Metal Gear Solid, Silent Hill e God of War — seguem ausentes, e o sistema de recompensas PS Stars passou por cortes significativos em suas funcionalidades.

Embora o catálogo rotativo traga adições regulares, algo inesperado aconteceu: a remoção de títulos importantes da própria Sony, como o já citado Marvel’s Spider-Man e, mais recentemente, Horizon Zero Dawn.

Imagem: PlayStation

Também é importante mencionar o plano Essential, que oferece mensalmente de três a quatro jogos. Em sua maioria, são boas escolhas, que ficam vinculadas à biblioteca do usuário. É esse plano que também garante o acesso ao modo online dos jogos e ao backup de dados na nuvem.

Porém, há algumas pegadinhas. Para acessar os jogos resgatados, é necessário manter a assinatura ativa. O mesmo vale para os saves armazenados em nuvem: basta um único dia sem assinatura para perder o acesso completo aos dados, sem possibilidade de baixá-los até que a assinatura seja renovada.

Mesmo sendo o plano mais básico, o Essential custa atualmente R$ 359,90 por ano — um valor superior ao de um jogo AAA no lançamento.

Xbox Game Pass: o serviço mais robusto, mas não mais imbatível

Imagem: Xbox Game Pass

O Xbox Game Pass é hoje o serviço mais consolidado da indústria e representa a grande aposta da Microsoft nos últimos anos. Atualmente, o serviço atingiu uma constância invejável na adição de títulos ao catálogo.

Entre outubro de 2024 e abril de 2025, já entraram jogos como Call of Duty Black Ops 6, Indiana Jones e o Grande Círculo, Avowed, Ninja Gaiden 2 Black, South of Midnight, entre muitos outros que poderiam facilmente estender essa lista.

No quesito catálogo, o Game Pass continua excelente. No entanto, assim como ocorre com a PS Plus, alguns fatores têm feito o serviço perder o posto de melhor custo-benefício da indústria.

O primeiro ponto é a ausência de um plano anual oficial, o que obriga os jogadores a recorrerem a conversões alternativas, muitas vezes confusas, misturando diferentes níveis de assinatura para evitar pagar 720 reais por ano, valor cobrado caso a mensalidade de 60 reais seja mantida de forma recorrente.

No auge do custo-benefício, era possível converter a antiga Live Gold em Game Pass Ultimate, o nível mais alto do serviço, pelo mesmo período de tempo, pagando apenas 1 real de diferença.

Também era permitido acumular até três anos de assinatura. Com o tempo, essa taxa de conversão foi reduzida de três para dois, depois de dois para um, e o período máximo de acúmulo caiu para apenas 13 meses.

Ou seja, até pouco tempo atrás, era possível garantir três anos de Game Pass Ultimate por aproximadamente 600 reais, menos do que custa apenas um ano atualmente.

O xCloud permanece em fase beta há anos, com longas filas de espera, qualidade de imagem instável e sem previsão para a promessa de disponibilizar toda a biblioteca do jogador na nuvem se concretizar.

Imagem: xCloud

O lançamento simultâneo dos jogos, conhecido como Day One, foi sendo reduzido com o tempo. Em teoria, ainda existe no plano Ultimate e no PC Game Pass. No entanto, no Xbox, esse recurso foi removido do nível “Console”, que agora conta com o novo e confuso plano “Standard”.

Além disso, a Microsoft passou a oferecer acesso antecipado de pelo menos cinco dias apenas para as versões mais caras dos jogos, que na prática são os verdadeiros Day One.

A proposta original do Game Pass, de ser um serviço acessível, com uma vasta oferta de jogos disponíveis já no lançamento e diversos recursos à disposição dos jogadores, vem se deteriorando ao longo dos anos.

A adição constante de títulos sempre foi um dos pilares do Game Pass, e isso permanece como um dos principais atrativos da plataforma.

Mesmo em períodos em que os jogos first-party chegavam com menos frequência, a Microsoft conseguia manter o interesse do público ao reforçar o catálogo com boas opções multiplataforma.

No entanto, o aumento nos preços, a criação de novas barreiras que dificultam o acesso ao catálogo e a estagnação do serviço em nuvem mostram que o serviço não avançou, na realidade regrediu em alguns aspectos.

EA Play e Ubi+: os serviços alternativos

Imagem: EA

Ainda existem os chamados “serviços alternativos”, como o EA Play e o Ubisoft+, que oferecem os jogos próprios de suas respectivas editoras, embora com propostas distintas.

O Ubisoft+ disponibiliza todo o catálogo da empresa em suas versões mais completas, já no lançamento, ao custo de R$59,99 por mês ou R$599,99 por ano.

Já o EA Play segue uma abordagem diferente: custa R$29,90 por mês ou R$200 por ano, e os títulos da Electronic Arts costumam entrar no serviço, em média, cerca de um ano após o lançamento.

Ambos podem ser boas alternativas para quem deseja jogar um título específico, mas não pretende pagar o valor cheio. Em muitos casos, assinar por apenas um mês já é suficiente para aproveitar o jogo, especialmente se ele for mais curto ou se o jogador tiver tempo disponível.

No ecossistema Xbox, os usuários se beneficiam das duas ofertas. O Ubisoft+ é exclusivo da plataforma entre os consoles, enquanto o EA Play já está incluído na assinatura do Game Pass Ultimate.

Afinal, algum serviço ainda vale a pena?

Agora que você já conhece o estado atual dos principais serviços de assinatura de jogos, é possível identificar um padrão. Todos ainda oferecem uma grande variedade de jogos, mas não evoluíram como a comunidade esperava, e seus preços aumentaram de forma considerável.

Muitos jogadores que mantêm as assinaturas ativas relatam nas redes sociais que se sentem “reféns” desses serviços. Mesmo com uma biblioteca recheada de títulos comprados, acabam priorizando o que está disponível nos catálogos apenas para não sentirem que estão desperdiçando dinheiro.

Com isso, muitos acabam entrando em um dilema tão comum quanto controverso. Diante de tantas opções, a liberdade de escolha se transforma em paralisia. No fim, não jogam nada com real satisfação.

Falando de forma pessoal, não assino mais a PS Plus desde o reajuste de 2023. E assim que minha assinatura do Game Pass expirar, também não pretendo renová-la de forma anual.

Ao longo dos anos, construí uma biblioteca robusta de jogos, e com o valor investido em um único serviço, é possível adquirir vários títulos em promoções, que ocorrem com frequência.

Imagem: PS Store

Caso algum lançamento realmente relevante entre no catálogo e desperte interesse, a assinatura mensal se torna uma alternativa mais viável, como ocorre com o Ubisoft+ e o EA Play, permitindo aproveitar o conteúdo sem compromisso de longo prazo.

Para quem ainda não acumulou uma grande coleção de jogos, é fã de jogos multiplayer, possui bastante tempo livre e gosta de explorar diferentes gêneros, os serviços de assinatura podem continuar sendo uma boa opção.

Porque, querendo ou não, na ponta do lápis, as adições anuais costumam justificar o valor cobrado.

Os R$ 720 do Game Pass Ultimate e os R$ 592,90 da PS Plus Extra, que são os planos mais recomendados em suas respectivas plataformas, acabam sendo compensados pela quantidade de jogos entregues ao longo do ano.

Claro que essa é apenas a minha opinião, e você pode discordar dela.

Mas uma coisa é certa: o enorme custo-benefício ficou no passado.

E para você, os serviços de assinatura de jogos ainda valem a pena? Quais deles você continua assinando?

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Written by
Erick Oliveira
Redator

Jogador desde que me conheço por gente e observador atento da indústria. Unindo experiência prática e técnica, me dedico a cobrir os principais lançamentos e bastidores do mundo dos games…

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