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Review de Death Stranding 2: On the Beach – A obra mais autoral do ano

Quando peguei a review de Death Stranding 2: On the Beach, assumi um grande desafio, já que joguei, não gostei e abandonei o primeiro jogo com aproximadamente 15 horas de gameplay.

O título simplesmente não me cativou. Ainda assim, todos com quem conversei sobre ele são apaixonados, e muitos afirmam que, quando engrena, se torna uma das experiências mais únicas já criadas.

Desde o anúncio da sequência, que em teoria deveria aprimorar tudo o que foi apresentado no antecessor, fiquei curioso.

Talvez ali estivesse uma chance de viver uma experiência autoral e imersiva, agora com tempo e disposição para me dedicar por completo à obra.

E assim fiz. Com mais de 40 horas de jogo, nessa review posso finalmente dizer se Death Stranding 2 vale a pena aos olhos de alguém que não gostou do primeiro título e que está longe de ser fã do Hideo Kojima.

A história é uma viagem em círculos

Para me preparar, assisti a recapitulações e resumos do primeiro jogo. Já conhecendo parte do universo, imaginava o que esperar.

A narrativa continua extensa, cheia de conceitos, nomes, mistérios e reviravoltas. Mas, diferente do original, que mesmo enigmático levava a algo maior, Death Stranding 2 parece girar em círculos.

Os temas retornam. Os arcos se repetem. Os personagens soam como novas versões de rostos antigos. Até o número de capítulos é o mesmo do primeiro jogo, com alguns compostos por uma única cutscene, apenas para manter a simetria.

O mais frustrante é que a repetição não vem acompanhada de profundidade. É eco, não reflexão.

O jogo responde perguntas que ninguém fez, força reexplicações que sabotam o impacto que deveriam causar e, em vários momentos, parece preso a uma estrutura engessada: entrega, volta para o quarto, cutscene, repete.

Há uma completa ausência de um andamento orgânico no enredo faz com que o jogador basicamente já saiba o que esperar ao fim de cada nova entrega principal.

Sempre me vinha à mente: “bora progredir a história e ver cutscene”, especialmente quando a Fragile me pedia para voltar ao meu quarto pela vigésima vez durante a campanha.

Imagem: Quase que um filme (Capturada por Erick Felipe)

A Decima Engine continua surreal

Provavelmente você já viu algum clipe viral com a reação de pessoas vendo o jogo pela primeira vez. Isso porque, tecnicamente, ele é impressionante.

Parece haver um ciclo positivo entre as franquias Horizon e Death Stranding. A Guerrilla Games eleva o nível, a Kojima Productions supera em poucos anos, depois a Guerrilla responde, e agora Death Stranding 2 volta a ser o título a ser batido.

A primeira coisa que salta aos olhos é a produção. A Decima Engine atinge aqui um novo ápice de excelência visual.

O mundo é grandioso, hostil, belo e, por vezes, hipnotizante. Areias varridas pelo vento, tempestades elétricas e tudo rodando a 60 quadros por segundo, com fidelidade gráfica de cair o queixo.

Imagem: A Decima é um dos melhores da atualidade (Capturada por Erick Felipe)

Joguei no PlayStation 5 padrão e praticamente não senti quedas de desempenho. A resolução estava alta o suficiente para evitar borrões e serrilhados, o que manteve a imersão intacta.

A integração com o DualSense é um espetáculo à parte. Sentir o peso da carga nas mãos, ouvir o choro de Lou pelo alto-falante do controle… são detalhes que elevam a experiência sensorial.

É o tipo de imersão que poucos estúdios se arriscam a oferecer, e quase nenhum executa tão bem.

Gameplay evoluído, mas fácil até demais

É impossível ignorar o quanto o gameplay evoluiu. A entrega de cargas, que é o coração da experiência, está mais acessível e viciante.

As ferramentas são desbloqueadas com mais rapidez, os veículos têm mais utilidade, mas há algo no mapa — que agora inclui regiões da Austrália e do México — que me incomodou: a sensação de algo único.

Como são regiões diferentes, era de se esperar que houvesse uma identidade visual mais marcante. Porém, tirando alguns animais típicos como coalas e cangurus, os ambientes acabam lembrando obras genéricas de ficção, como Perdido em Marte.

Mesmo com a dificuldade bastante reduzida, ainda é prazeroso planejar rotas, otimizar estruturas e sentir a presença de outros jogadores colaborando anonimamente.

É, paradoxalmente, um jogo solitário que constantemente lembra que você não está completamente sozinho.

Aceitei uma missão em que precisava cruzar uma montanha para alcançar meu objetivo. Um outro jogador havia deixado uma tirolesa no caminho, o que facilitou bastante meu trajeto.

Aquilo me deixou tão grato que passei a construir estradas, deixar cordas e montar equipamentos sempre que podia, apenas para ajudar quem viesse depois, mesmo sem qualquer contato direto com essas pessoas.

Imagem: Conectados (Capturado por Erick Felipe)

O combate também foi aprimorado. Há mais armas, mais opções e mais liberdade. Mas isso não o torna memorável. O corpo a corpo continua fraco, e a variedade de inimigos é limitada. Algumas armas são tão desbalanceadas que eliminam qualquer sensação de tensão.

Ninguém esperava uma dificuldade típica do gênero soulslike, mas as batalhas contra chefes se tornam risíveis de tão fáceis.

Ainda assim, considerando que existe até uma opção para pular os chefes, é nítido que houve uma intenção clara de tornar o jogo o mais acessível possível.

Imagem: Chefes fáceis de serem batidos (Capturada por Erick Felipe)

A impressão é de que o combate foi melhorado, mas também facilitado para atrair um público que torceu o nariz para o ritmo mais contemplativo do jogo original, e não porque a experiência exigia isso.

Talvez esse seja o maior dilema de Death Stranding 2. É uma sequência que tenta agradar mais do que provocar. Um jogo que busca ser tudo para todos e, nesse processo, perde parte da sua alma.

Parte sonora com poucas falhas

A melancolia continua presente. A solidão ainda pesa. A trilha sonora ainda emociona, mas não achei tão impactante quanto a do início do primeiro jogo.

Falando na parte sonora, com um elenco hollywoodiano presente no jogo, muitos devem preferir a dublagem original em inglês, pois já conhecem os atores de outras obras.

Contudo, especialmente para o público brasileiro, a grande maioria deve jogar com o áudio localizado em nosso idioma, e nesse quesito a PlayStation costuma mandar muito bem, com adaptações em alguns casos que podem ser consideradas superiores às originais.

Imagem: Rostos conhecidos (Capturada por Erick Felipe)

Apesar disso, em Death Stranding 2 o elenco de dublagem em português em muitos momentos não conseguiu transmitir a emoção que a cena exigia. Não é algo que comprometa a experiência, mas vale ser citado.

Ainda assim, Death Stranding 2 é um jogo que vale ser jogado. Não porque reinventa o que já vimos, mas porque, mesmo tentando algo mais comercial, Kojima ainda entrega algo fora do padrão.

Review de Death Stranding 2: On the Beach – Jogue!

Em uma indústria onde o risco criativo se torna cada vez mais raro, até mesmo um Kojima contido é mais interessante do que a maioria em sua plenitude.

Se você busca uma obra mais autoral, que fuja do convencional, este é um título obrigatório. Sem dúvidas, está entre os melhores jogos lançados este ano.

Porém, se o loop de gameplay — entrega, dorme, assiste a longas cutscenes, entrega, enfrenta alguns inimigos, dorme, assiste a mais cutscenes — não te atrai, talvez seja melhor esperar um momento mais oportuno para jogá-lo.

Uma dica final: se entregue ao jogo sem pressa para zerar. Abrace a experiência. Ela é densa, mas também pode ser incrivelmente relaxante.

Nota: 4/5 – Ótimo


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Para mais da Insider Gaming, confira nosso texto que lista 8 jogos de Julho que parecem ser altamente promissores.

Written by
Erick Oliveira
Redator

Jogador desde que me conheço por gente e observador atento da indústria. Unindo experiência prática e técnica, me dedico a cobrir os principais lançamentos e bastidores do mundo dos games…

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