Quando a Nexon anunciou um novo jogo focado em Khazan, um dos personagens mais icônicos de Dungeon Fighter Online, e revelou que ele seguiria o estilo soulslike, minha atenção foi imediatamente capturada.
Como fã do gênero e curioso sobre o universo de DNF, a proposta me parecia bastante promissora.
Mas será que o esforço da desenvolvedora sul-coreana para conquistar novos públicos e expandir o universo de uma das maiores propriedades intelectuais da história valeu a pena?
Nesta análise, vamos mergulhar em The First Berserker: Khazan e descobrir se o jogo realmente merece sua atenção em meio à avalanche de lançamentos previstos para 2025.
História
Como o próprio nome indica, este capítulo é focado na história de Khazan, o primeiro Berserker.
Criado em uma tribo de bárbaros, ele ascende ao posto de general e, em nome de seu imperador, embarca em missões extremamente perigosas. Durante esse processo, acaba sendo traído e condenado à morte.
Khazan consegue escapar de sua sentença e parte em busca de vingança. A premissa é simples e, como é comum nos jogos do estilo soulslike, a narrativa não é contada de forma direta. Cabe ao jogador desvendá-la ao longo da jornada.

O aprofundamento da história ocorre por meio de diálogos com NPCs, na derrota de chefes e através da coleta de itens e documentos espalhados pelo mundo.
Falando em NPCs, alguns se destacam, como Tristan, que protagoniza ótimos diálogos, e Elamein, uma das chefes mais marcantes do jogo.
A campanha principal tem duração média de 30 a 40 horas, mas esse número pode aumentar consideravelmente.
O jogo conta com diversas missões secundárias, e o progresso depende diretamente da habilidade do jogador em se adaptar à dificuldade elevada, que detalharemos mais adiante e que pode representar um desafio significativo para a maioria.
Gameplay
Como já citado em partes anteriores desta análise, The First Berserker: Khazan é um soulslike, mas sua jogabilidade lembra mais os títulos da Team Ninja, especialmente a série Nioh.
Enquanto os jogos da FromSoftware são mais cadenciados e exigem que o jogador gerencie cuidadosamente a barra de estamina, a gameplay de Nioh e, consequentemente, de Khazan é mais acelerada.
Apesar de também contar com a barra de estamina, o combate envolve múltiplos inimigos ao redor do personagem e exige uma postura mais agressiva.

O arsenal do jogo é dividido em três categorias principais: lança, espada e machado, e espada grande. Cada tipo possui sua própria árvore de habilidades, permitindo abordagens distintas de combate.
O jogador pode testar todas as categorias e distribuir pontos de forma equilibrada até encontrar o estilo que melhor se adapta à sua forma de jogar.
No entanto, Khazan é um jogo altamente punitivo, e o menor erro pode significar a derrota. Por isso, é recomendável escolher sua categoria preferida logo no início da campanha e focar no aprimoramento dessa classe para se tornar o mais forte possível.
Quanto à progressão, é possível subir de nível ao coletar Lacrima, recurso obtido ao derrotar inimigos ou ao interagir com corpos espalhados pelo cenário. Essa mecânica segue o padrão tradicional da maioria dos RPGs.
O outro pilar da progressão está relacionado à frequência com que utilizamos cada arma. Existe um sistema separado de proficiência, que permite desbloquear habilidades ativas e passivas por meio das diversas árvores de habilidade disponíveis no jogo.
Um aspecto que me agradou bastante é a possibilidade de redefinir as habilidades a qualquer momento e sem qualquer custo. Isso incentiva a experimentação, permitindo ao jogador testar diferentes estilos de combate ao longo da jornada.

Além da habilidade do jogador, é fundamental contar com um bom equipamento para enfrentar os desafios em pé de igualdade. As melhores armaduras, chamadas de conjuntos, são forjadas no ferreiro a partir de recursos obtidos dos chefes espalhados pelo jogo.
A dificuldade, mesmo no nível padrão, não deve ser subestimada. No início da jornada, como é comum no gênero, o personagem começa com poucas poções de cura, baixo dano e uma barra de estamina bastante limitada, o que o torna praticamente indefeso.
No entanto, como em todo bom RPG, o senso de progressão é notável. Ao final da campanha, o jogador se sente como o verdadeiro chefe do jogo, enquanto os inimigos passam a ser simples obstáculos no caminho.
Em mais uma clara inspiração em Nioh, o jogo apresenta a Forma de Espectro, uma transformação temporária em que o protagonista assume uma forma espectral, ganhando uma nova barra de vida e habilidades impulsionadas pela raiva. A mecânica adiciona uma camada estratégica ao combate e pode ser decisiva em momentos críticos.
Entre as mecânicas que merecem destaque está o ataque devastador, que pode ser executado após esgotar a barra de estamina do inimigo. Além disso, quando o jogador acerta o tempo exato de uma defesa, o adversário fica extremamente vulnerável. Trata-se de uma mecânica claramente inspirada em Sekiro.
Seguindo outra tradição dos soulslike, é possível invocar Espíritos Auxiliares pouco antes das batalhas contra chefes. Essas entidades acompanham o jogador durante os confrontos mais desafiadores. Curiosamente, o jogo também permite fortalecer essas invocações, tornando-as mais resistentes e eficazes em combate.
Para descansar e restaurar os status do personagem, o jogo conta com as tradicionais “bonfires”, aqui representadas por espadas fincadas no chão. Elas estão espalhadas pelo mundo e também surgem após a derrota dos chefes.

Falando nos chefes…
Os Chefes
Batalhas contra chefes costumam ser o ponto alto de qualquer jogo, especialmente no gênero soulslike, onde as habilidades do jogador são levadas ao limite.
Em Khazan, não é diferente. Cada chefe apresenta um design único e uma variedade de padrões de ataque que exigem atenção e memorização.
O jogador precisa estudar o comportamento do inimigo, decorar seu moveset e executar suas estratégias com precisão para alcançar a vitória, mesmo que isso leve várias tentativas. Mesmo veteranos acostumados ao gênero podem enfrentar dificuldades.

Sem entrar em spoilers, muitos confrontos ao longo da campanha têm potencial para se tornar o ponto de desistência para diversos jogadores.
Gráficos e direção de arte
O estilo artístico adotado em The First Berserker: Khazan é o cel-shading, remetendo aos tradicionais animes shounen. A escolha confere ao jogo uma identidade visual marcante e distinta da maioria dos títulos do gênero.
O jogo também se destaca por sua boa otimização em todas as plataformas. Nos consoles, estão disponíveis os já conhecidos modos de qualidade e performance, permitindo ao jogador escolher entre uma resolução mais alta ou uma taxa de quadros mais fluida, de acordo com sua preferência.
Vale destacar que o título oferece suporte para telas com frequência de 120 Hz e utiliza recursos como o VRR (Variable Refresh Rate), possibilitando que a taxa de quadros ultrapasse os 60 fps em determinados momentos.
A direção de arte acerta em cheio ao retratar todos os elementos esperados de uma fantasia medieval. Montanhas cobertas de neve, pântanos sombrios, vilarejos abandonados e ruínas antigas compõem um mundo variado e visualmente rico.
A trilha sonora também merece destaque, cumprindo bem seu papel em diferentes momentos da jornada.
Durante as batalhas mais intensas, as músicas empolgam e elevam a tensão, enquanto nas seções de exploração, as composições transmitem com eficácia a sensação de vazio, ruína e desolação que permeia o mundo do jogo.
Sem dúvida, é um jogo competente em todos os aspectos técnicos. Quem aprecia gráficos estilizados e que fogem do fotorealismo certamente encontrará muito o que admirar aqui.

Nem tudo são flores…
Até o momento desta análise, destaquei principalmente os pontos positivos de The First Berserker: Khazan, mas é importante mencionar também alguns aspectos que merecem críticas.
O primeiro deles é a repetição de inimigos de elite utilizados como chefes secundários. Essa prática transmite a sensação de falta de criatividade por parte do estúdio, funcionando mais como uma forma de inflar artificialmente o conteúdo do jogo do que de enriquecer a experiência.
Outro ponto que pode desagradar parte dos jogadores é o sistema de progressão baseado na seleção de missões por meio de um hub central, em vez de um mundo interconectado.
Embora esse formato já esteja presente em Nioh, ele vai na contramão da estrutura consagrada por jogos como Dark Souls, cuja interconectividade e senso de descoberta são amplamente celebrados pela comunidade.
A dificuldade também apresenta momentos de desequilíbrio. Em diversas ocasiões, o jogador pode ser derrotado sem sequer perceber a origem do ataque.
Como solução, o jogo oferece a possibilidade de reduzir a dificuldade após múltiplas mortes, mas essa opção soa mais como um paliativo. Um design mais equilibrado e orgânico teria sido preferível.

Afinal, The First Berserker: Khazan vale a pena?
Com todos os pontos apresentados ao longo desta análise, já é possível ter uma visão clara dos acertos e deslizes de The First Berserker: Khazan.
Minha experiência, como fã do gênero soulslike e apreciador de jogos desafiadores, foi extremamente satisfatória. Se você gosta de exploração, batalhas épicas contra chefes e visuais estilizados que encantam a cada novo cenário, este pode ser o jogo ideal para você.
Sua campanha, com cerca de 50 horas de duração ao considerar tanto a missão principal quanto as secundárias, entrega um tempo de jogo bem ajustado à sua proposta, sem se arrastar ou parecer apressada.
Por outro lado, se você prefere uma experiência mais casual, com menos exigência em termos de dificuldade e mecânicas, talvez existam outros títulos no mercado que se encaixem melhor no seu perfil.
No fim das contas, The First Berserker: Khazan se mostra uma grata surpresa por parte da Nexon. A tentativa de expandir o universo de Dungeon Fighter Online não apenas deu certo, como deixou boas expectativas para os próximos capítulos. E pessoalmente, mal posso esperar para ver o que vem a seguir.
Nota: 9,0
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