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Entrevistamos Vaibhav Chavan, diretor de Mukti, jogo do PlayStation India Hero Project

Recentemente eu tive a oportunidade de entrevistar Vaibhav Chavan, diretor de Mukti, jogo do PlayStation India Hero Project. Fascinado pela proposta do jogo e, claro, curioso pra saber mais sobre o estado atual do desenvolvimento de games no país, decidi conversar com Vaibhav para entender melhor o cenário por lá.

Diante disso, a entrevista vai ser separada em tópicos para tornar a leitura mais fácil e esclarecedora! Mukti está sendo desenvolvido para o PS5 pelo underDOGS Studio e ainda não possui uma previsão de lançamento.

Confira as perguntas e respostas do diretor abaixo:

Parte 1: A jornada pessoal com os jogos

Obrigado por tornar isso possível. Você pode se apresentar para a nossa audiência?

R: Sou Vaibhav, fundador e CEO da underDOGS Studio, na Índia. Tenho mais de 17 anos de experiência na indústria de games, desempenhando diversos papéis, desde Game Designer, Game Producer e Game Director até a fundação e expansão de um negócio sustentável no setor de jogos. Sou um engenheiro de computação que se tornou empreendedor, começando minha trajetória vendendo fotos de cartões esportivos, administrando um cyber café lucrativo e, por fim, fundando a underDOGS em 2011. Atualmente, estou dirigindo Mukti, nossa aventura narrativa em primeira pessoa para PS5 e PC, vencedora do Sony PlayStation India Hero Project.

Nota do editor: Por vencedora, significa que o jogo foi selecionado pela PlayStation para participar do projeto.

Qual é sua primeira memória envolvendo videogames? Qual jogo ou console despertou seu interesse no meio?

R: Em 1999, meu pai me comprou um Pentium 486 preto e branco usado, enquanto eu me preparava para ingressar na faculdade de engenharia. O dono anterior da máquina era, sem dúvida, um gamer, porque um dia encontrei uma pasta com 50 jogos icônicos baseados em DOS, incluindo Wolfenstein 3D, Blood, Doom, Alan Border Cricket, Prince of Persia 1, entre outros. Lembro-me de jogar Dangerous Dave pela primeira vez—e foi esse jogo que acendeu minha paixão por videogames.

Em que momento você percebeu que queria não apenas jogar, mas também criar jogos? Houve algum jogo que influenciou significativamente sua decisão?

R: Nos primeiros anos, joguei todos os tipos de games, sem me prender a gêneros específicos. Mas mais do que jogar, a curiosidade sobre como os jogos eram feitos foi o que realmente me impulsionou para a indústria de games. Entre 2001 e 2007, enquanto cursava um Diploma Técnico em Computação seguido de Engenharia, eu também me dedicava a aprender tudo o que pudesse sobre como entrar na indústria. Com acesso limitado à internet e pouca informação disponível na época, foi um período difícil. No entanto, essa fase me deu clareza e confiança para construir um futuro na criação de jogos.

Quais foram seus primeiros passos no desenvolvimento de games? Quais desafios e lições foram fundamentais para transformar essa paixão em profissão na Índia naquela época?

R: Comecei minha carreira como Game Designer na INDIAGAMES em 2007, logo após me formar. Foi lá que aprendi os fundamentos e detalhes essenciais do game design. Depois, passei pela GAMES2WIN e HUNGAMA como Produtor, onde adquiri experiência prática sobre todo o pipeline de produção de jogos, desde o desenvolvimento até a publicação.

Por volta de 2010, enquanto trabalhava como produtor, percebi que era difícil encontrar estúdios independentes de qualidade na Índia para desenvolver games para a empresa onde eu estava. Isso me levou a mudar de lado e tentar criar jogos por conta própria. Essa mudança me deu a confiança necessária para, eventualmente, fundar meu próprio estúdio: underDOGS.

Além dos videogames, que outras formas de arte ou mídia—como literatura, cinema, música ou cultura indiana—influenciam seu trabalho criativo?

R: O teatro sempre foi uma parte fundamental da minha vida no que diz respeito à narrativa. Atuei e dirigi peças em inglês e em línguas regionais por uma década, enquanto desenvolvia jogos. Há uma magia única no teatro—as emoções intensas, a conexão ao vivo com a plateia e a forma como cada momento se desenrola em tempo real, sem segundas tomadas.

Foto fornecida pelo entrevistado

O teatro ensina a estar presente, a compreender o silêncio, o timing e a profundidade da emoção humana. Essa experiência foi inestimável na minha trajetória como criador de jogos. Me ajudou a dar autenticidade aos personagens, construir narrativas envolventes e criar experiências vivas, assim como uma cena impactante no palco.

Parte 2: Um mergulho em Mukti

“Mukti” é um título poderoso e evocativo. Você poderia explicar o significado do nome e como ele se entrelaça com a narrativa e a experiência geral do jogo?

R: “MUKTI” é uma palavra regional, mais especificamente do hindi, e significa LIBERTAÇÃO. O jogo conta uma história de rebelião e libertação, então o nome encaixa perfeitamente com a proposta e o enredo. Mukti mergulha profundamente em uma questão social crítica que merece atenção: o tráfico humano.

A descrição de “Mukti” menciona a exploração de um museu indiano. Como vocês abordaram a pesquisa e representação desses temas sensíveis e culturalmente profundos no jogo?

R: Criamos um museu fictício onde a arquitetura reflete princípios autênticos de design, com referências como Indian Architecture, de Claude Batley, e outros textos históricos para trazer profundidade e realismo ao mundo do jogo. Como a história tem raízes profundas na Índia, era essencial manter a ambientação autenticamente indiana. Globalmente, poucos jogos adotaram essa abordagem, o que tornou a iniciativa ainda mais significativa.

A ideia de um museu surgiu organicamente, pois nos permitiu criar uma experiência em que os jogadores descobrem a narrativa no próprio ritmo, quase como se desvendassem verdades esquecidas. Esse conceito se tornou um símbolo poderoso para um tema que muitas vezes permanece oculto.

Além disso, queríamos que a exploração fosse uma parte significativa da experiência, sem ofuscar a história principal. O ambiente do museu nos permitiu tecer naturalmente a riqueza cultural e histórica da Índia, dando aos jogadores uma chance de interagir com narrativas raramente representadas em jogos.

Quais são as mecânicas principais de gameplay em “Mukti”? Existe algum elemento inovador ou imersivo que você acredita que os jogadores irão apreciar?

R: O jogo tem um sistema de exploração em primeira pessoa, onde você caminha, explora o museu, inspeciona objetos e artefatos, resolve quebra-cabeças e, por fim, desvenda a história conectando as pistas. Mukti possui mecânicas inéditas que aumentam a imersão e que poderão ser experimentadas no lançamento. Além disso, como exclusivo de PS5, estamos aproveitando ao máximo os recursos do DualSense, aprimorando a experiência sensorial do jogador.

Qual foi o maior desafio técnico ou criativo durante o desenvolvimento de “Mukti”? Como vocês o superaram?

R: O escopo e a qualidade de Mukti são algo que o estúdio nunca tentou antes. Enfrentamos desafios diários porque, mesmo sendo um jogo independente, nos comprometemos com uma visão ambiciosa e altamente realista, que exige o máximo das nossas habilidades e criatividade.

Graças ao suporte da Sony, essa jornada tem sido incrivelmente emocionante e gratificante, com aprendizados valiosos que nos ajudam a aperfeiçoar e elevar o jogo a novos patamares.

Além do entretenimento, que mensagem ou impacto duradouro você espera que os jogadores levem consigo após jogar “Mukti”?

R: Mukti é uma montanha-russa de emoções. Como os jogadores interagem ativamente com a narrativa, isso torna questões importantes mais pessoais e reais, criando fortes conexões emocionais e aumentando a conscientização globalmente. Após jogá-lo, os jogadores devem se sentir profundamente tocados e reflexivos. A imersão emocional e narrativa do jogo traz consciência sobre realidades difíceis, enquanto transmite um sentimento de esperança e empoderamento.

Como tem sido desenvolver “Mukti” com foco na plataforma PlayStation?

R: O controle DualSense revolucionou a experiência nos consoles com seus gatilhos adaptáveis e feedback tátil. O que mais nos anima é a liberdade de integrar esses recursos criativamente no jogo. Como Mukti tem uma narrativa cinematográfica e emocionalmente envolvente, o DualSense se tornou uma ferramenta essencial de storytelling.

O feedback tátil não está ali apenas por efeito, ele é cuidadosamente projetado para criar tensão em momentos de suspense, transmitir emoções nas cutscenes e aprofundar a imersão ao longo do jogo. Os gatilhos adaptáveis também acrescentam realismo tangível, permitindo que os jogadores sintam fisicamente o peso e esforço de cada ação—como abrir uma porta pesada, acionar um interruptor ou puxar um objeto resistente. Isso vai além do gameplay tradicional, pois faz com que os jogadores vivam as sensações do personagem em cada momento.

O que você espera que os jogadores, na Índia e no mundo, sintam ao explorar a história e o universo de “Mukti”?

R: Os jogadores poderão sentir uma forte conexão com os personagens e a narrativa, além de um entendimento mais profundo sobre as complexidades do tráfico humano. Haverá também uma sensação de realização ao resolver quebra-cabeças e desvendar verdades ocultas, tornando a experiência reflexiva e recompensadora. Em sua essência, Mukti inspira os jogadores a pensar de maneira diferente e mais compassiva sobre o mundo ao seu redor.

Sou um grande fã de troféus e adoro criar guias para obter a platina. Podemos esperar um Troféu de Platina em “Mukti”?

R: Mukti tem uma estrutura linear, mas se você gosta de exploração, pode acabar passando horas dentro do museu. Temos vários elementos no jogo, desde colecionáveis a artefatos ocultos, além de histórias regionais para descobrir. A melhor parte? O conceito do museu permite que tudo isso aconteça de forma natural. O jogo definitivamente terá troféus, e os entusiastas de colecionáveis irão adorar explorar!

Parte 3: O desenvolvimento de jogos na Índia

Como você observa a evolução da indústria de desenvolvimento de jogos na Índia nos últimos anos?

R: Nos últimos anos, vi a indústria indiana de desenvolvimento de jogos crescer enormemente, não apenas em tamanho, mas também em qualidade e ambição. Houve uma mudança clara dos jogos móveis simples para títulos mais complexos e narrativos, incluindo projetos para PC e consoles com apelo global. Mais estúdios estão focando na criação de IPs originais com narrativas profundas, e o cenário de investimentos está se tornando mais saudável, com grandes empresas apoiando desenvolvedores independentes.

Ao mesmo tempo, há uma comunidade mais forte e compartilhamento de conhecimento, ajudando a elevar os padrões gerais. Os desafios ainda existem, especialmente em infraestrutura e visibilidade, mas a paixão e talento dos desenvolvedores indianos nunca foram tão intensos, e estou empolgado para ver para onde estamos indo.

Quais são os principais pontos fortes e talentos únicos que os desenvolvedores indianos contribuem para o mercado global de jogos?

R: Os desenvolvedores indianos trazem uma combinação única de criatividade, adaptabilidade e riqueza cultural para o mercado global de games. Um dos maiores pontos fortes é a narrativa, pois, ao se inspirarem na vasta e diversa herança da Índia, conseguem criar histórias e perspectivas originais que ressoam globalmente. Além disso, os desenvolvedores indianos são extremamente engenhosos, conseguindo trabalhar com poucos recursos, o que impulsiona inovação e eficiência. Nossa habilidade técnica está crescendo rapidamente, e muitas equipes estão dominando mecânicas e tecnologias complexas, enquanto as incorporam à identidade local. Essa combinação de forte narrativa, habilidade técnica e riqueza cultural faz com que os jogos indianos se destaquem, agregando diversidade valiosa ao cenário global de games.

Quais são os principais desafios enfrentados pelos estúdios independentes de jogos na Índia atualmente, como financiamento, infraestrutura ou reconhecimento?

R: Os estúdios independentes na Índia enfrentam vários desafios, e o financiamento é um dos maiores obstáculos, principalmente para projetos ambiciosos. Embora seja ótimo ver que o cenário de investimentos está se ajustando gradualmente, ainda são necessários mais estudos de caso bem-sucedidos. Infraestrutura, como acesso a hardware avançado e internet confiável, pode retardar o desenvolvimento. Obter reconhecimento global é difícil sem um forte suporte de marketing, e também há falta de mentoria experiente e redes industriais bem estabelecidas. Apesar desses desafios, a paixão dos desenvolvedores indies mantém a indústria indiana avançando.

“Mukti” exibe uma forte identidade cultural. Você percebe um aumento no interesse em explorar narrativas e estéticas indianas nos jogos, tanto nacional quanto globalmente?

R: Com certeza. Existe um crescimento na curiosidade e apreciação por histórias e estéticas indianas nos jogos, tanto na Índia quanto internacionalmente. À medida que os desenvolvedores indianos criam conteúdos autênticos e de alta qualidade, os jogadores ao redor do mundo demonstram interesse em experimentar novas perspectivas enraizadas na nossa rica cultura. Foi isso que aconteceu com os jogos japoneses e chineses nos últimos 3-4 anos.

O público global de games atingiu um ponto de estagnação, com os mesmos cenários repetidos por décadas. Agora, querem explorar novos contextos culturais. Domésticamente, isso também permite aos jogadores se conectarem profundamente com sua própria herança. Acredito que essa tendência continuará crescendo, abrindo oportunidades incríveis para narrativas indianas brilharem no palco mundial.

Como você avalia o atual ecossistema de suporte aos desenvolvedores de jogos na Índia, incluindo iniciativas governamentais, investidores e comunidades? Quais áreas precisam de melhorias?

R: Está definitivamente melhorando. Estamos vendo mais interesse dos investidores, e as iniciativas governamentais começaram a reconhecer o potencial do setor de games. As comunidades também estão se fortalecendo, com mais eventos, mentoria e colaboração entre desenvolvedores.

Ainda há muito a ser feito. O acesso ao financiamento precisa ser mais amplo, especialmente para IPs originais e projetos para PC/consoles. As políticas governamentais poderiam ser mais direcionadas e estruturadas especificamente para games, em vez de serem agrupadas com TI ou animação. Também precisamos de maior colaboração entre indústria e academia, com programas de formação mais estruturados para desenvolver talentos em grande escala. A fundação está sendo construída, mas precisa de um foco mais nítido e suporte contínuo.

IAs são um tema quente no momento. Qual sua opinião sobre o assunto? E sua equipe utiliza IA no desenvolvimento de “Mukti”?

R: Usamos IA em áreas específicas, como geração de conceitos, coleta de referências e aceleração de tarefas documentais. No entanto, somos cuidadosos para garantir que a IA complementa nossa visão criativa, em vez de substituí-la. No fim das contas, Mukti é uma história profundamente humana, e sua essência emocional vem de pessoas reais dedicadas à arte.

Parte 4: O PlayStation India Hero Project

“Mukti” é um título de destaque no PlayStation India Hero Project. Qual é a importância dessa iniciativa para você, sua equipe e o cenário indiano de desenvolvimento de jogos?

R: Fazer parte do prestigiado PlayStation India Hero Project com Mukti foi um grande marco, não apenas para mim e minha equipe, mas para o ecossistema indiano de games como um todo. Para nós, é uma validação da nossa visão e de anos de esforço para contar uma história significativa e culturalmente enraizada em uma plataforma global.

Ao mesmo tempo, isso também traz uma grande responsabilidade. O suporte da PlayStation nos proporcionou recursos e mentoria para elevar nossa qualidade e ambição. Além disso, coloca um holofote sobre os desenvolvedores indianos, mostrando que histórias originais da nossa região têm lugar no cenário mundial. Está abrindo portas para mais talentos locais sonharem grande, e acredito que marca o início de uma nova era para o desenvolvimento de jogos na Índia.

Como “Mukti” foi selecionado para o India Hero Project? Que tipo de suporte—financeiro, mentoria ou técnico—a PlayStation ofereceu e como isso impactou o desenvolvimento do jogo?

R: Submetemos nosso conceito por meio da chamada aberta do programa, que foi avaliado pela Sony. O foco do jogo em uma narrativa culturalmente rica e socialmente impactante ressoou com a visão da empresa de apoiar histórias únicas e autênticas. Uma vez selecionados, recebemos apoio em todas as áreas.

O financiamento nos forneceu recursos para aprimorar a qualidade do jogo. O suporte técnico, incluindo kits de desenvolvimento e expertise sobre os recursos do PlayStation 5, como o controle DualSense, ajudou a aprofundar a experiência imersiva. A mentoria de veteranos da indústria nos orientou sobre boas práticas em arte, otimização e marketing, garantindo que Mukti pudesse atingir um público global de forma eficaz. Esse apoio abrangente não apenas impulsionou o desenvolvimento de Mukti, mas também empoderou nossa equipe para expandir os limites criativos, contribuindo para o crescimento da indústria de games na Índia.

Você acredita que o India Hero Project pode ser um divisor de águas, incentivando mais desenvolvedores indianos a criarem jogos para consoles e alcançarem uma audiência global?

R: Sem dúvidas. O India Hero Project é um grande catalisador para os desenvolvedores indianos. Ele comprova que histórias originais vindas da Índia podem prosperar em plataformas globais de consoles, incentivando estúdios a mirarem mais alto. Com financiamento, mentoria e visibilidade, a PlayStation está promovendo uma mudança do trabalho de prestação de serviços para a criação de IPs ousadas e focados em narrativa. Esse movimento pode dar início a uma nova onda de jogos indianos desenvolvidos para públicos internacionais.

Como essa parceria com a PlayStation está ajudando a aumentar a visibilidade de “Mukti” e, por consequência, do talento indiano no cenário global de jogos?

R: A parceria com a PlayStation impulsionou enormemente a visibilidade de Mukti, colocando tanto o nosso jogo quanto os desenvolvedores indianos no radar global. Ser parte de uma iniciativa oficial da PlayStation dá a Mukti credibilidade instantânea e exposição em plataformas de grande impacto, como o State of Play, o PlayStation Blog e a mídia especializada internacional.

Nosso recente trailer de revelação do gameplay foi publicado no canal global oficial da PlayStation, o que foi extremamente inspirador. Esse tipo de destaque é raro para jogos indianos e está ajudando a romper barreiras de visibilidade de longa data. Mais importante ainda, está mostrando ao mundo que a Índia pode entregar experiências narrativas fortes, compatíveis com os padrões internacionais, algo que inspira não apenas nossa equipe, mas toda a comunidade de desenvolvimento de jogos indiana.

Quais são suas expectativas para o futuro do India Hero Project e iniciativas similares na Índia?

R: Espero que o India Hero Project continue crescendo, apoiando mais jogos indianos ousados e originais em diversos gêneros. Ele tem o potencial de fortalecer um ecossistema robusto, onde os desenvolvedores indianos não são apenas participantes, mas líderes na cena global de games. Iniciativas similares podem posicionar a Índia como uma potência criativa na indústria de desenvolvimento de jogos.

Existe alguma colaboração entre os diferentes Hero Projects? Sou um grande fã dos jogos do China Hero Project e estou ansioso pelos futuros projetos da Índia!

R: No momento, não há colaboração direta, mas há muito compartilhamento de conhecimento entre as equipes, já que somos a primeira geração de desenvolvedores nesses programas. O ecossistema ainda é novo, mas extremamente empolgante para todos os envolvidos.

Parte 5: Olhando para o futuro

Além de “Mukti”, quais são seus planos ou aspirações futuras? Existem novos projetos ou conceitos que você deseja explorar?

R: Além de Mukti, nosso objetivo é criar IPs fortes e focados em narrativa, capazes de se destacar no cenário global. Já estamos explorando novos conceitos, alguns inspirados na história e no folclore indiano, e outros mais experimentais. Tenho grande interesse em fundir jogos com outras mídias, como filmes, séries e experiências interativas, expandindo nossas narrativas para além do gameplay tradicional. A visão é estabelecer nosso estúdio como uma potência criativa na Índia, desenvolvendo jogos de alta qualidade, com impacto emocional profundo e apelo global.

Que conselho você daria para jovens na Índia que aspiram se tornar desenvolvedores de jogos?

R: Já compartilhei isso em mais de 600 vídeos no YouTube: comece escolhendo sua área—seja design, arte, programação, teste ou narrativa. Nunca pare de aprender. Foque em aperfeiçoar suas habilidades e comece a criar seus próprios projetos desde cedo. Mantenha-se conectado com a comunidade, tenha paciência e seja persistente. Mas, acima de tudo, acredite no seu potencial para causar impacto.

Qual sua visão para o futuro dos jogos “Made in India” no mercado global nos próximos cinco a dez anos?

R: Os jogos Made in India conquistarão reconhecimento e respeito mundialmente. À medida que mais desenvolvedores indianos contam histórias autênticas e inovadoras, nossos jogos deixarão de ser nichados e alcançarão o público mainstream global. Com melhor suporte, infraestrutura e maior confiança, os estúdios indianos criarão títulos diversificados e de nível internacional, competindo com os melhores do setor. Isso mostrará que a Índia não é apenas um consumidor de jogos, mas uma força criativa de peso na indústria.

Como você vê a comunidade gamer brasileira?

R: A comunidade gamer brasileira é incrivelmente apaixonada e vibrante. Existe um amor forte por jogos de todos os gêneros e plataformas, além de um cenário de desenvolvimento em crescimento acelerado. Apesar de desafios como infraestrutura e financiamento, os criadores brasileiros continuam produzindo jogos impressionantes e inovadores, que refletem sua cultura única e histórias autênticas. No underDOGS, sempre vimos o Brasil entre os cinco principais países de público em nossos jogos mobile.

Sr. Chavan, para concluir, poderia compartilhar uma mensagem com nossa audiência? Pode ser sobre qualquer tema.

R: Se você está apenas começando ou enfrentando desafios na sua jornada, lembre-se de que o sucesso não é sobre sorte, mas sobre paixão incansável, perseverança e coragem para seguir em frente, mesmo quando as probabilidades estão contra você. Acredite na sua visão, seja fiel ao seu talento e não tenha medo de quebrar padrões. O mundo está esperando sua história, seu jogo, sua voz. Faça valer a pena.


Você pretende jogar Mukti? Conte pra gente nos comentários e participe da discussão em nosso fórum!

Written by
Ruan Almeida
Editor (Brazil)

Ruan está cobrindo a indústria dos games desde 2017, trazendo várias informações sob a ótica do mercado e reviews após o 100%. Quando ele não está escrevendo, está jogando algum…

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