A Valve se pronunciou oficialmente após a Procuradoria-Geral de Nova York abrir um processo contra a empresa, alegando que as chamadas “Loot Boxes” presentes em alguns de seus jogos violam leis de jogos de azar do estado.
O caso envolve títulos populares da companhia, como Counter-Strike 2, Dota 2 e Team Fortress 2.
Valve discorda da Procuradoria no tema das loot boxes
Em comunicado, a Valve afirmou que discorda da acusação e disse estar decepcionada com a decisão do órgão público de seguir com a ação judicial.
Segundo a empresa, representantes da procuradoria foram informados desde 2023 sobre como funcionam os itens virtuais e as caixas surpresa presentes em seus jogos.
A companhia argumenta que o conceito de caixas com recompensas aleatórias não é exclusivo dos videogames. A Valve comparou o sistema com produtos físicos populares há décadas, como pacotes de cartas colecionáveis ou caixas surpresa vendidas em lojas.
Entre os exemplos citados estão cartas de beisebol, Pokémon, Magic: The Gathering e os brinquedos colecionáveis da Labubu. Segundo a empresa, gerações de consumidores cresceram comprando esses produtos sem que isso fosse considerado jogo de azar.
A Valve também destacou que abrir essas caixas é totalmente opcional dentro de seus jogos.
Os itens obtidos são apenas cosméticos e não oferecem vantagem competitiva, o que significa que os jogadores podem aproveitar plenamente os títulos sem gastar dinheiro com microtransações.
Outro ponto abordado pela empresa foi o combate ao uso indevido de itens digitais em sites de apostas.
De acordo com a Valve, mais de um milhão de contas da Steam já foram bloqueadas por estarem envolvidas em atividades ligadas a jogos de azar, fraude ou roubo de itens.
A companhia afirma ainda que implementou diversas ferramentas para combater essas práticas, incluindo reversão de trocas e períodos de espera entre negociações.
A procuradoria também teria sugerido mudanças significativas no funcionamento das caixas dentro dos jogos, como impedir a transferência ou venda dos itens obtidos.
A Valve afirma discordar da proposta, argumentando que a possibilidade de negociar itens digitais é benéfica para os usuários, já que permite vender ou trocar itens indesejados, de forma semelhante ao que ocorre com objetos físicos colecionáveis.
Além disso, a empresa criticou propostas que exigiriam a coleta de mais dados pessoais dos usuários para verificação de idade ou localização, especialmente para evitar o uso de VPNs.
Segundo a Valve, implementar essas medidas significaria adotar tecnologias invasivas e coletar mais informações pessoais do que o necessário.
A empresa também ressaltou que respeita o direito do estado de Nova York de criar leis específicas para regular esse tipo de sistema, mas observou que atualmente não existe legislação clara que proíba as caixas surpresa nos jogos. Caso novas regras sejam aprovadas no futuro, a Valve afirmou que irá cumpri-las.
Por fim, a companhia disse acreditar que um acordo com a procuradoria poderia ter sido mais simples, mas argumenta que aceitar as exigências propostas poderia prejudicar os usuários, outros desenvolvedores e a capacidade da indústria de inovar no design de jogos.
Agora, a disputa deverá ser resolvida na Justiça, que decidirá se o modelo de microtransações utilizado pela empresa viola ou não as leis de Nova York.
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