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Como a Virtuos se tornou um dos maiores estúdios da indústria dos games

Quando os jogadores pensam nos maiores estúdios da indústria dos games, geralmente lembram dos nomes estampados na capa, como Bethesda, Konami ou EA.

No entanto, na maioria das vezes, esses jogos já não são mais desenvolvidos por um único estúdio. Nos bastidores, existe uma rede de equipes que ajudam a dar vida a esses projetos, e poucas empresas cresceram acompanhando essa mudança tanto quanto a Virtuos.

Ao longo das últimas duas décadas, a Virtuos expandiu de cerca de 100 desenvolvedores, em meados dos anos 2000, para quase 4 mil funcionários atualmente.

Nesse período, a empresa passou a trabalhar, segundo o CEO Gilles Langourieux, em aproximadamente 100 a 150 jogos por ano.

É uma escala que colocaria a Virtuos entre as maiores empresas de desenvolvimento de jogos, mesmo que muitos jogadores não percebam isso.

O estúdio já trabalhou em títulos como The Elder Scrolls IV: Oblivion Remaster, Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, Mortal Kombat 1, Call of Duty: Modern Warfare III, entre muitos outros.

Imagem: Games com a participação da Virtuos

Mas esse crescimento não aconteceu por acaso. Ele ocorreu em um momento em que a própria indústria estava se expandindo rapidamente.

Durante anos, o desenvolvimento de jogos operou em um cenário que Langourieux descreve como um ambiente onde “nunca havia pessoas suficientes para fazer jogos”.

“Por muito tempo, desde que conseguíssemos encontrar e treinar bons profissionais, encontrar trabalho para eles era relativamente fácil”.

Gilles Langourieux

No entanto, apenas contratar mais pessoas não explica a ascensão da Virtuos. A terceirização sempre fez parte do desenvolvimento de jogos, mas nem sempre foi fácil de gerenciar.

Equipes diferentes, fusos horários distintos e pipelines variados podem rapidamente gerar atritos. Segundo Langourieux, o sucesso da Virtuos está justamente em resolver esse problema.

“Nosso negócio não é apenas encontrar talentos”, disse. “Também é criar um ambiente que facilite o trabalho dos clientes com essas equipes, porque o desenvolvimento externo ou terceirizado não é simples.”

Modelo global da Virtuos é pensado para o desenvolvimento moderno

Grande parte dessa abordagem está na forma como a empresa é estruturada. A Virtuos opera globalmente, com equipes distribuídas por diferentes continentes, o que permite acessar múltiplos polos de talento ao mesmo tempo em que mantém proximidade com seus parceiros.

Internamente, a empresa chama esse modelo de “gloco”, uma combinação de global e local.

“Temos grandes estúdios na Ásia, Europa e América do Norte, aproveitando esses polos de talento”, explicou Langourieux. “E, para facilitar a colaboração, ter estúdios locais trabalhando diretamente com os clientes é extremamente útil.”

Gilles Langourieux
Imagem: Estúdios da Virtuos ao redor do mundo

Essa estrutura também ajuda a resolver um dos maiores desafios do desenvolvimento AAA moderno: as equipes não mantêm o mesmo tamanho durante todo o projeto.

Elas crescem e diminuem conforme as etapas de produção avançam, e gerenciar essa variação se tornou cada vez mais complexo.

“O que fazemos é ajudar nossos clientes a absorver parte dessa variação, mantendo equipes internas menores, mais estáveis e consistentes.

Nós damos flexibilidade ao adicionar especialistas quando necessário e reduzir esse número quando eles deixam de ser necessários.”

Virtuos

Durante anos, esse modelo se alinhou perfeitamente com o crescimento acelerado da indústria. No entanto, esse cenário começou a mudar.

“Mais recentemente, a dinâmica mudou”, afirmou Langourieux. “Já não é algo automático; agora precisamos demonstrar o valor que entregamos aos nossos clientes.”

Esse valor também pode ajudar a indústria de uma forma mais estável. Nos últimos anos, demissões em massa se tornaram frequentes. E, embora a Virtuos não tenha passado completamente ilesa, Langourieux afirma que os ajustes feitos foram mais voltados ao perfil dos profissionais do que à redução do número total de funcionários.

Ele acredita que, ao trabalhar com estúdios de co-desenvolvimento, as empresas evitam expandir demais suas equipes apenas para depois demitir quando um projeto é concluído.

Segundo ele, ao atuar em vários projetos simultaneamente, quando um jogo chega ao fim e uma equipe já não é mais necessária, os profissionais podem ser realocados para outro projeto, mantendo seus empregos.

De muitas formas, o crescimento da Virtuos reflete uma mudança mais ampla na forma como os games são produzidos.

O modelo tradicional, em que um único estúdio cuidava de tudo, está se tornando menos comum, sendo substituído por um sistema mais flexível, baseado em equipes centrais menores apoiadas por parceiros externos.

A Virtuos pode não ser um nome tão conhecido do grande público, mas sua presença na indústria dos games continua crescendo. E, à medida que o desenvolvimento se torna mais complexo, esse tipo de suporte se torna cada vez mais essencial.


Você acha que o modelo de co-desenvolvimento vai aumentar nos próximos anos?

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Written by
Erick Oliveira
Redator

Jogador desde que me conheço por gente e observador atento da indústria. Unindo experiência prática e técnica, me dedico a cobrir os principais lançamentos e bastidores do mundo dos games…

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