O Slayer está de volta em uma nova aventura que serve como prequel do DOOM lançado em 2016.
Com uma jogabilidade mais convidativa e atualizada, a narrativa coloca os jogadores no papel do Slayer enquanto ele embarca numa jornada para impedir que as forças demoníacas se apoderem do Coração de Ardent.
Mas será que essa nova empreitada vale o seu tempo e dinheiro? É isso que você vai descobrir em nosso review de DOOM: The Dark Ages, o novo jogo da id Software.
Temam o Slayer!
Jogar DOOM: The Dark Ages é como controlar o protagonista de um filme de ação dos anos 80. Se você é veterano da franquia, já conhece o tom habitual da campanha, caso contrário, se prepare para rir e se deliciar com os absurdos que só um jogo como esse pode oferecer.
O Slayer é implacável, imparável e inevitável. Toda a imponência do personagem é parte da mística que o transformou em uma das principais figuras da indústria e isso é respeitado ao máximo aqui. Quando ele chega, todos tremem.
Esse aspecto de ser meio que uma arma de destruição em massa torna as coisas bem interessantes. Isso ajuda o componente narrativo a ganhar mais força e importância, aproximando-se do tom cinematográfico que esperamos de um shooter como esse. As inspirações em Pacific Rim são evidentes, ainda mais considerando o envolvimento do diretor Hugo Martin.

No geral, ainda mais em ser um prequel, eu senti que o jogo falha em apresentar algumas explicações para novatos na saga. A história principal é fácil de ser compreendida, mas entender como o Slayer foi parar na situação em que ele se encontra e compreender o que são os Maykrs vai ser uma tarefa árdua para novatos.
O peso da narrativa é desbalanceado pelas expressões faciais que deixam a desejar e uma péssima sincronização labial no idioma PT-BR. A dublagem é OK mas a sincronia é ruim e infelizmente, seguindo o padrão da Bethesda, não podemos alterar o idioma do áudio. Ele só é modificado ao mudar o idioma do console por completo.
A campanha tem uma boa duração, são 22 missões que duram entre 15 a 18 horas jogando em um ritmo normal, com uma boa dose de exploração pelos mapas. Os setpieces são fantásticos e reforçam a obscuridade da lore de DOOM.
O sentimento ao concluir a vigésima segunda missão foi o de “precisamos de um filme do Slayer”.
Slayer Rogers?
A maior adição de DOOM: The Dark Ages é o escudo do Slayer. E o nome desse tópico é puramente proposital. A sensação é a de jogar com o Capitão América, se ele fosse brutal e com uma força igualável ao Hulk.
Podemos defender projéteis inimigos, aparar e lançar o escudo como se fosse uma Beyblade cortante, atividade essa que é altamente prazerosa e uma excelente maneira de eliminar dezenas de demônios inferiores.
O combate está um pouco mais cadenciado do que os dois jogos anteriores, só que ao mesmo tempo rítmico. Juntando o uso do escudo, arma de corpo a corpo e a arma de fogo, o combate parece uma sinfonia com três grandes instrumentos principais que conversam muito bem entre si.

E para a minha feliz surpresa, temos um buffet farto de opções! No escudo por exemplo podemos ativar runas que possuem efeitos diferentes ao aparar tiros. Uma das runas invoca várias adagas flutuantes, outra golpes terrestres que atropelam os inimigos e por aí vai.
No quesito armas de corpo a corpo, são 3 opções – a manopla, uma espécie de tacapé e o mangual, a minha predileta. Podemos acionar combos diferentes com essas armas e elas foram muito bem implementadas no caos perfeito que é a jogabilidade de DOOM: The Dark Ages, sendo uma ferramenta vital para conseguir munição e derreter o escudo dos inimigos encouraçados.

Por fim, mas não menos importante, as armas de fogo funcionam como os tradicionais arquétipos de um shooter, com armas que funcionam como espingardas, submetralhadoras, snipers, bazucas e por aí vai. Na medida que aprimoramos elas, com ouro, rubis e uma pedra especial, desbloqueamos efeitos passivos que amplificam o poder dessas armas. Ao chegar no nível máximo, desbloqueamos o desafio de domínio que, ao ser concluído, libera uma skin especial.

Um ponto negativo que senti bastante é a falta de um fator replay. Como The Dark Ages é focado em sua campanha, não temos um componente multiplayer, ao menos no lançamento. Você termina a história, pega os colecionáveis, faz os desafios de domínio das armas ao longo da história e é isso. Fim. Considerando o preço cobrado pelo jogo e a curta duração da campanha, é algo a ser levado em consideração antes da compra.
Outro ponto, que talvez não seja tão compreendido, vai para o design das missões. O estúdio foi além e entrega variedade no level design, mesmo sendo um shooter para um jogador, mas senti falta disso no que diz respeito ao objetivo das missões. Estaremos sempre fazendo a mesma coisa. Com o Dragão por exemplo, destruímos naves inimigas para desabilitar as torretas, abrir locais de pouso e seguir em frente. Não faria mal adicionar uma pequena pitada de variedade nos objetivos.
Agora, como mencionei acima, o estúdio se empenhou bastante no level design. Explorar em DOOM: The Dark Ages é fantástico e cada canto do mapa possui algum objeto valioso para a progressão, seja ele ouro, rubi ou um encontro opcional que concede aprimoramentos para a vida ou capacidade de munição.

Os segredos estão escondidos na medida certa, demandando que o jogador olhe ao redor com atenção, mas não chegando a ser aquele absurdo que deixa você empacado. Eles acertaram muito na dosagem entre ação frenética e exploração, dando um ar maior de importância aos cenários.
Go Go…. Power Slayer
Eu resolvi reservar um tópico específico para o Atlan e para o Dragão. Essas duas adições são fantásticas para a franquia e enriquecem o combate e o aspecto cinematográfico da campanha.
O Atlan, o equivalente ao Megazord, permite que o Slayer lide com ameaças colossais fazendo alusão ao boxe. É prazeroso demais socar demônios do tamanho de prédios e abrir caminho à força através de vilarejos e cidades.

Um ponto negativo é que ele acaba sendo pouco usado ao longo das 22 missões da campanha. Penso que o estúdio poderia ter incorporado melhor o uso do robô na campanha.
O uso do Dragão é mais frequente, trazendo combates aéreos e finalizações brutais. Senti que o combate com o Dragão é um tanto engessado, principalmente quando usamos a esquiva para desviar dos projéteis verdes e amplificar o poder dos nossos tiros.

No geral, as duas adições são positivas e tornam o gameplay mais recheado, contudo, ambas deixam muito espaço para melhorias em um próximo jogo.
Um presente chamado id Tech
Vou começar esse campo sobre a parte técnica falando uma coisa – não sei como demoraram tanto tempo pra levar DOOM para um setting medieval. O casamento da IP com a temática é tão perfeito que o sentimento é de que um foi feito pro outro.
A repaginação dos demônios clássicos, a atmosfera sombria, que flerta com o gótico medieval, o estilo arquitetônico escuro e rebuscado… tudo ficou bem mais charmoso e convidativo!
Em muitos ambientes, fiquei parado por 2-3 minutos apenas admirando o mundo. A direção de arte realmente se excedeu aqui e afirmo tranquilamente que é o jogo mais bonito da franquia e com sobras.

E, graças ao poder da geração atual, temos mil coisas acontecendo no fundo da tela. A escala dos conflitos é a maior da franquia, assim como a quantidade de inimigos em tela. Ainda não chega a ser o absurdo que vimos em Space Marine 2, mas temos trechos onde dezenas de inimigos demoníacos ocupam a nossa tela.
A trilha sonora segue a cartilha do que estamos habituados com a franquia, com o heavy metal ditando o tom dos conflitos. Para a minha surpresa, o DualSense foi bem implementado e podemos sentir o impacto do Slayer pulando e correndo graças a ele.
No PlayStation 5 Pro, não tive nenhuma queda de FPS, rodando em estáveis 60 FPS mesmo nas cutscenes. Também não tive nenhum crash. O único bug encontrado foi em um troféu, chamado de Berserker. Mesmo cumprindo os critérios demandados, o troféu não pipocou na tela.
É chover no molhado falar isso nesse momento da geração, mas o jogo praticamente não apresenta loadings. Mesmo que você saia para o menu principal, você consegue voltar para a ação em coisa de 3-4 segundos, o que achei impressionante.
Um ponto bem particular, mas que sempre aprecio em jogos medievais, é o design das armaduras e armas. Em DOOM: The Dark Ages, esses dois aspectos estão de “babar”. As armas e o escudo do Slayer são quase que protagonistas junto à ele e o design de cada uma delas está belíssimo! E nem preciso comentar das armaduras tanto do Slayer quanto do Rei Novik.

Os demônios não ficam atrás. O design deles está muito bem feito, contudo, eu senti falta de algo mais grotesco e horripilante. Para um jogo tão violento, imaginei que teríamos mais inimigos com vísceras à mostra, putrefação e coisas nesse sentido. O visual deles está bonito mas ao mesmo tempo “clean”.
Review de DOOM: The Dark Ages – Compre!
DOOM: The Dark Ages marca um grande acerto em uma das franquias mais emblemáticas da indústria. Se revitalizar não é nada fácil, ainda mais mantendo a essência que ajudou a IP a chegar onde chegou.
As imperfeições não são graves e são atenuadas pelas partes positivas do jogo. Com um combate rico que beira o rítmico, visuais belíssimos e uma campanha cinematográfica, a visita do Slayer na Idade Média deixa um enorme gosto de “quero mais”. Se você adora shooters frenéticos, não poderia recomendar ainda mais o jogo!





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