Cá estou eu fazendo um review de um novo “jogo” narrativo publicado pela Annapurna Interactive. Após ter escrito sobre Mixtape, experiência que permanece comigo até hoje, chegou a hora de falar sobre Forever Ago, projeto do estúdio estreante Third Shift.
É curioso ter sido encarregado de cuidar desses dois projetos da Annapurna em sequência. Mixtape é sobre o começo da vida adulta, e Forever Ago aborda a “reta final” dessa louca aventura que é viver.
O que é Forever Ago?
A história é protagonizada por Alfred, um velho rabugento que se fechou para o mundo após um evento traumático. Um belo dia, ele decide cumprir uma promessa e parte em uma roadtrip profundamente emocional enquanto revive sua própria história.
O tema principal da aventura é o amor. Mas daquele tipo raríssimo de amor que tende a acontecer uma única vez na vida. A história de Forever Ago ressoou muito comigo porque sou um cara de sorte e encontrei a mulher da minha vida há 12 anos. Seguimos juntos até hoje, e eu espero que isso nunca mude.
Esse é um ponto peculiar de ser abordado, mas que considero fundamental para falar sobre essa experiência interativa. Forever Ago NÃO é para todos. O projeto trata-se de um walking simulator sobre amor, depressão, recomeços e o que vem depois. Você só vai se conectar com a proposta se estiver em um momento bem específico da sua vida. Outro ponto é que quase não existem mecânicas de jogabilidade aqui.
Você anda, interage brevemente com alguns objetos, como portas ou cadeados, conversa com algumas pessoas e é isso. É basicamente um filme interativo de cerca de 3 horas de duração. E eu não falo isso como um demérito, mas apenas como forma de alinhar bem as expectativas.
O melhor trecho da aventura é onde ela realmente se torna uma experiência mais próxima de um jogo. Visitamos um resort abandonado e podemos vasculhar o local para encontrar pistas sobre o que aconteceu no passado e por que o empreendimento não deu certo. Além disso, temos um nível maior de interatividade graças à adição de uma ferramenta para cortar os cadeados das portas e temos até um minigame inspirado em Space Invaders!
Não se planeja a vida
O que Forever Ago não entrega em jogabilidade, entrega em reflexão. Muitas de suas passagens me fizeram pensar na minha própria vida, no meu relacionamento e no que almejo para o futuro. A Third Shift optou por um caminho interessante, mostrando as várias versões de Alfred como em um quebra-cabeça, e tudo se complementa perfeitamente bem. Você entende quem ele era e como chegou ao ponto presente abordado pelo jogo.

A roadtrip de Alfred nos leva para locais diferentes, como uma loja de conveniência em um posto de gasolina, um resort abandonado e outros, mas, principalmente, nos leva até pessoas que acabam se tornando fundamentais para que Alfred se reconecte com a vida. E eu honestamente achei isso genial por parte da Third Shift.
Esses encontros são completamente ocasionais, como a própria vida, o que concede um ar bem realista a Forever Ago. Eu já tive conversas profundas com completos desconhecidos que acabaram se tornando grandes amigos, logo, foi legal ver esse toque humano. Só que a jornada conta com “arcos” específicos, como o de Sam, que são muito apressados, tornando-se uma baita oportunidade perdida para entregar mais impacto narrativo. Os personagens secundários são excelentes mas eles não possuem tempo de tela para serem desenvolvidos e gerar um ponto de conexão com quem joga.

Mas falando em impacto narrativo, a trilha sonora faz o heavy lifting aqui. Algumas das faixas desse jogo são espetaculares, como Forever Yours e Leave Home Behind, de Clark Aboud. Mas a minha favorita é Nothing Goes Away, de Wolfie’s Just Fine.
Para mim, é a melhor música que ouvi em um jogo neste ano, e as inserções dela na obra são geniais. Quando os créditos de Forever Ago subiram, eu fiquei alguns bons minutos olhando para a TV com o coração sangrando, sentindo a dor de Alfred como se fosse a minha.
Review de Forever Ago – Vale a Pena?
Como eu mencionei no começo do texto, Forever Ago é uma experiência interativa destinada a um grupo bem específico de pessoas. Enxergo-o como um projeto artístico com uma mensagem bem clara e diria até que necessária.
A Third Shift consegue fazer com que o jogador se conecte com Alfred graças aos personagens bem escritos e a uma implementação magistral da trilha sonora. Eu gostaria que a jornada não contasse com momentos apressados.
Os personagens secundários são incríveis mas mal existe tempo para se apegar a eles. A falta de interatividade e de mecânicas de jogabilidade também acabam cobrando seu preço em alguns trechos, deixando o ritmo um pouco arrastado. E injusto falar que Forever Ago é ruim, mas ele funcionaria muito melhor como um filme live-action.
Forever Ago
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