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Phantom Blade Zero Review

PlayStation 5 Released: October 29, 2026
9
Excelente

Phantom Blade Zero é um jogo de ação magistralmente elaborado que combina a narrativa clássica do gênero Wuxia com uma marcante construção de mundo no estilo "Kungfupunk", proporcionando um combate excepcional, chefes memoráveis e uma das direções de arte e trilhas sonoras mais impressionantes do gênero. Embora pequenos problemas, como a repetição de inimigos e ocasionais falhas técnicas, o impeçam de alcançar a perfeição, a S-Game criou uma experiência de destaque que se estabelece firmemente entre os melhores títulos de ação dos últimos anos.

Ruan Almeida

outubro 26, 2026

Eu cresci assistindo clássicos Wuxia como Ying Xiong, House of Flying Daggers e Crouching Tiger, Hidden Dragon. Eu ficava fascinado pelas acrobacias das lutas e principalmente pelos conceitos de moralidade e dever que os protagonistas apresentavam normalmente.

Essa conexão com o gênero, que começou quando eu era um garotinho ainda formando minha visão de mundo, me deixou completamente rendido por Phantom Blade Zero desde que eu vi o trailer de anúncio do game.

No ano passado, tive a oportunidade de jogar uma demonstração dele na Gamescom e mal consegui acreditar que Phantom Blade Zero era real. Felizmente, tive a oportunidade de jogar a versão final em antecipado e, após 40 horas de jogatina, posso declarar que sim, ele é real e é um dos melhores jogos de ação já criados!

A brutalidade do Wulin

Phantom Blade Zero é protagonizado por Soul, um dos membros mais letais da Order, uma organização que age nas sombras dentro do Wulin, o mundo do jogo.

Soul acaba sendo framed pelo assassinato do líder da Ordem e seus amigos acabam se voltando contra ele. Em um duelo mortal contra seu melhor amigo, o coração de Soul é atingido e ele é deixado para morrer.

Seu coração é remendado por um ser chamado de Flesh Sculptor, mas com uma condição fatal: ele só tem mais 66 dias de vida. Isso serve como pontapé para a história, colocando Soul em um caminho de vingança enquanto investiga o que de fato aconteceu.

A narrativa do jogo é bem expositiva. Temos cutscenes e diálogos que explicam diretamente o plot, mas, detalhes cruciais da trama estão em documentos. Inclusive já adianto que você só vai entender a história se você ler boa parte dos documentos.

As missões secundárias são incríveis (Image: Insider Gaming)

A história envolve vários sectos, grupos e personagens com interesses próprios e ela surpreendentemente tem um tom bem maquiavélico. Por beber da fonte dos Wuxia, temos personagens com um código de honra bem definido, enquanto outros agem em prol do poder e da dominação do mais fraco.

Eu fiquei surpreso em ver que o jogo também não se esquiva de temas mais pesados e algumas missões secundárias envolvem até uma rede de sequestro de crianças para um fim nefasto. O Wulin é brutal e Phantom Blade Zero demonstra isso tanto narrativamente quanto visualmente.

E o interessante é que o jogo realmente estabelece um gênero novo. A história envolve elementos clássicos do Wuxia enquanto mistura eles com elementos steampunk. O Sha-Chi, a energia vital que rege as artes marciais e consequentemente o poder das pessoas do Wulin, está no centro disso.

Na sede por poder, vários grupos exploram formas de ampliar sua força, gerando o processo de Transcension. Só que aumentar o Sha-Chi de maneira artificial tem seu preço, diminuindo a sanidade da pessoa.

Entender esses conceitos é imperativo para entender a história de Phantom Blade Zero. Um detalhe legal é que de certa forma o jogo incentiva a leitura. Todo documento que você coleta te concede um pouco de Phantom Dust, recurso usado para aprender habilidades e aprimorar os equipamentos.

Falando em duração, uma jogatina visando o 100% leva em média em torno de 45 a 50 horas, variando mediante a habilidade de quem joga e o nível de dificuldade escolhido!

Nasce um novo gênero, o Kungfupunk 

Vi muita gente se questionando se Phantom Blade Zero é um RPG ou um soulslike e já adianto que ele não é nenhum dos dois. Ele foi estruturado como um jogo de ação com elementos desses dois gêneros.

Não ganhamos experiência e mudamos de nível. A progressão de personagem consiste em encontrar fragmentos de itens como a Sha-Chi Amber para aumentar nossa barra de Sha-Chi (energia). A Blackstone aumenta o dano causado e as Memory Flowers o HP máximo.

Blackstones são importantíssimas para aumentar o ataque (Image: Insider Gaming)

Esse sistema era amplamente usado nos hack’n slash dos anos 2000, como em God of War. E o level design segue uma proposta bem parecida. Os cenários são lineares, com poucas bifurcações, apostando na verticalidade para incentivar que o jogador olhe cada canto atrás de itens. Mas como os mapas são compactos e tudo no jogo tem propósito, a exploração é bem recompensadora e direta ao ponto. Você não sente que está desperdiçando alguns minutos ali.

Eu fiquei genuinamente surpreso com a abordagem do estúdio em relação aos elementos de metroidvania. Encontramos várias passagens bloqueadas que demandam uma Phantom Edge específica para ser atravessada. E elas variam bastante entre si. Uma das Phantom Edge funciona como um gancho, permitindo alcançar locais altos. Outra permite quebrar correntes, outra apaga chamas e por aí vai.

Apesar de não ser um RPG, Phantom Blade Zero apresenta múltiplas opções de build.

A variedade aqui é absurda. Podemos equipar duas armas principais e duas Phantom Edges, habilidades especiais ativas, além de equipar acessórios com bônus passivo.

Temos espadas de uma mão, lanças, espadas de duas mãos, arcos, rifles.. são dezenas de opções e a maioria delas são bem viáveis e balanceadas, entregando um senso real de variedade.

Um elemento que eu achei fantástico é que você pode retornar suas armas ou Phantom Edges para o nível inicial, ganhando todos os recursos gastos de volta. Isso incentiva a experimentação e afasta completamente o senso de repetitividade.

Falando em repetição, são dezenas de inimigos comuns e chefes verdadeiramente únicos, mas infelizmente o jogo começa a repetir inimigos demasiadamente ao chegarmos na região de Pangzhen. Isso acaba incomodando um pouco quando se joga sessões longas de gameplay.

Um dos chefes (Image: Insider Gaming)

Mas felizmente a ampla variedade de armas ajudam a atenuar o problema um pouco.

A filosofia de combate de Phantom Blade Zero incentiva e premia a agressividade constante. Soul e os inimigos possuem uma Sha-Chi Bar, posicionando-se basicamente como uma barra de stamina. Podemos quebrar a barra inimiga e ganhar uma bela abertura para acionar combos massivos. Vale destacar que os ataques comuns não consomem essa barra, apenas os ataques sha-chi (com triângulo).

Por falar em combos, toda arma tem características e uma habilidade ativa própria e esse leque é expandido na metade do jogo após desbloquearmos a mecânica de Tempering. Essa mecânica permite que Soul use um item único relacionado a arma ou Phantom Edge para colocar o objeto em uma espécie de “estado desperto”, desbloqueando propriedades novas.

A versão temperada de uma das armas (Image: Insider Gaming)

Graças ao seu tom agressivo, a mecânica de parry é fundamental para sobreviver em Phantom Blade Zero e o sistema está bem responsivo, lembrando a primazia que vivemos em Sekiro: Shadows Die Twice.

A graça em jogos como esse é enfrentar chefes únicos e poderosos e Phantom Blade Zero entrega isso muito bem. Temos chefes verdadeiramente singulares tanto mecanicamente quanto visualmente e a frequência dessas lutas é excelente, lembrando Black Myth: Wukong.

Uma bela dança

A direção de arte de Phantom Blade Zero é formidável e o envolvimento de Michael Chang explica bem isso. Pra quem nunca ouviu falar em Michael, ele foi um dos responsáveis pela arte dois jogos chamados de Demon’s Souls e Dark Souls.

Como o Wulin é macabro, podemos ver o reflexo disso ao explorar os diferentes mapas do jogo. Pessoas decapitadas, empaladas, construções colapsadas. Uma guerra sem precedentes assola o reino e a estética do jogo te lembra disso constantemente.

Image: Insider Gaming

O design dos inimigos e dos chefes também está fantástico, incorporando muito bem os elementos da cultura chinesa. Temos uma fusão de uma versão fictícia da China na Dinastia Ming com vários elementos steampunk e pitadas de terror existencial/cósmico.

Muito do visual de Phantom Blade Zero se apoia no Shuimohua, uma técnica de pintura chinesa que usa tinta guache. De grosso modo, no jogo isso se traduziu em um sistema de iluminação e renderização que foca no fator monocromático.

Os elementos em primeiro plano são mais escuros e objetos e locais mais afastados apresentam tons mais claros, gerando uma sensação maior de distanciamento. É como se o sangue e a ferrugem do metal, dois elementos importantíssimos do jogo, fossem transportados para a tela. 

Uma terra desolada (Image: Insider Gaming)

E Phantom Blade Zero não da aula apenas na estética. A qualidade das animações supera e com folga muitos dos AAAs da indústria. As acrobacias variam bastante mediante as armas que usamos e é impressionante como os movimentos são fluídos. Existem lutas contra chefões que mais parecem uma apresentação artística de tão impactantes visualmente e sonoramente.

E por falar em som, os efeitos sonoros e as trilhas estão sublimes. Caisheng Bo, o principal compositor do jogo, adotou uma visão revolucionária, misturando sons da China tradicional com a China contemporânea. 

Graças a isso, temos momentos em que instrumentos clássicos se fundem com EDM, metal e batidas de hip hop, entregando uma das experiências sonoras mais marcantes e diversas que eu já experimentei em um game.

A genialidade aqui é tão grande que em certas lutas, os movimentos e ataques dos chefes seguem as batidas da música mesmo não sendo um jogo rítmico. Isso faz com que os embates se tornem danças mortais, lembrando com fidelidade os maiores clássicos Wuxia do cinema.

Na parte de desempenho, não tive nenhum bug e o jogo conta com 3 modos disponíveis. Lembrando que joguei no PS5 Pro. Eu fiquei bem contente com a qualidade do Modo Balanceado e joguei boa parte da aventura nele, mas minha recomendação final é o Modo Desempenho. Todo e qualquer FPS a mais vai fazer a diferença em certas lutas.

Eu só tive queda de frames em um mapa específico, Pangzhen. Em certos trechos do mapa, uma chuva torrencial toma conta da tela e foi isso que fez os FPS ficarem bem inconstantes. Lembrando que eu joguei bem antes do lançamento, logo, um patch de lançamento pode sanar o problema.

Além disso, teve um único chefe que apresentou um hit box completamente insconsistente. Muitas vezes eu acertava os golpes nele e o dano não era contabilizado. Como isso só aconteceu nesse chefe em específico, também pode ser um problema que nem exista mais no lançamento. 

Review de Phantom Blade Zero – Vale a Pena?

Eu já esperava que Phantom Blade Zero se provasse ser um bom jogo, mas feito mágica, a S-Game conseguiu superar todas as minhas expectativas, entregando uma experiência espetacular que funde elementos tradicionais do Wuxia com bastante identidade e ideias próprias. Soul não tem o mesmo impacto que o mitológico Wukong mas ele solidifica a mensagem: a China veio pra ficar no cenário de desenvolvimento de jogos AAA focados em um jogador. Se você adora jogos de 

Phantom Blade Zero

Score 9

Phantom Blade Zero

Excelente
Phantom Blade Zero é um jogo de ação magistralmente elaborado que combina a narrativa clássica do gênero Wuxia com uma marcante construção de mundo no estilo "Kungfupunk", proporcionando um combate excepcional, chefes memoráveis e uma das direções de arte e trilhas sonoras mais impressionantes do gênero. Embora pequenos problemas, como a repetição de inimigos e ocasionais falhas técnicas, o impeçam de alcançar a perfeição, a S-Game criou uma experiência de destaque que se estabelece firmemente entre os melhores títulos de ação dos últimos anos.
Reviewed by Ruan Almeida
A copy of Phantom Blade Zero (PlayStation 5) was provided for purposes of this review. View our review policy.
Written by
Ruan Almeida
Editor (Brazil)

Ruan está cobrindo a indústria dos games desde 2017, trazendo várias informações sob a ótica do mercado e reviews após o 100%. Quando ele não está escrevendo, está jogando algum…

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