Cá estou eu, escrevendo um review de um jogo da Insomniac, um dos meus estúdios prediletos da PlayStation, ou ao menos era um dos meus preferidos. Joguei cerca de 18 horas de Marvel’s Wolverine, coletei tudo, obtive todos os troféus e fiz todas as Portas do Pesadelo obtendo o rank mais alto, no fim da jornada, o saldo foi bem misto.
Desconexão com o público
Vamos começar falando sobre a narrativa de Marvel’s Wolverine. A Insomniac, felizmente, não optou por escrever uma história de origem para Logan. O personagem já possui longos anos de experiência de batalha e ressurge para ajudar a Equipe X, composta por Dente de Sabre e Mística, a resgatarem Essex, o “Professor Xavier” do grupo.
A Equipe X tem como objetivo central derrotar as forças de Trask, o homem mais rico do mundo, que tem como missão exterminar todos os mutantes da Terra. Aqui já começam os clichês que já vimos em praticamente todos os outros formatos de mídia do universo X-men e eu particularmente não tive problema com isso. Em várias histórias de Logan, sua motivação central é a de proteger os mutantes, mas o meu problema com Marvel’s Wolverine é no como isso acontece.
Os diálogos são super engessados, as motivações dos diferentes antagonistas são mal formuladas e o jogo falha em gerar conexão emocional com quem joga. Em uma história como essa, seria muito fácil impactar e gerar reflexão, mas o roteiro se aproxima muito dos filmes recentes do MCU, abraçando a segurança e obviedade.
Temos vários furos na história e personagens que inicialmente são importantes, como a Mística, simplesmente desaparecem em um bom pedaço da trama, indicando que o estúdio pode ter feito um retrabalho pesado após o vazamento sofrido pela Insomniac.
Apesar de falhar, na apresentação e construção de seus vilões, Marvel’s Wolverine entrega uma boa sinergia de Logan com Mística e o Dente de Sabre. Ao menos nos poucos minutos de tela em que os três interagem entre si. O Dente de Sabre tem um jeito espalhafatoso e explosivo, mas ao mesmo tempo é bem frágil emocionalmente, sentindo-se abandonado pelo “irmão”.

Já Mística se mantém emocionalmente distante do grupo, evitando criar laços fortes. Seria legal se esses lampejos fossem explorados e aprofundados ao longo da história, mas o estúdio descarta isso pra focar na relação de Logan com Jean Grey, que serve como interesse amoroso do personagem.
O problema é que a relação entre os dois não engata pela rapidez em que as coisas acontecem. Com isso, você não se importa quase nunca com o relacionamento deles. E isso acontece mesmo com uma atuação estelar de Liam McIntyre. Gostei tanto da interpretação dele como Logan que adoraria ver ele em um filme live-action do personagem.
Eu confesso que fiquei surpreso com o quão a história é segura. Esperava algo completamente diferente visto que Walt Williams, roteirista de BioShock 2 e Spec Ops: The Line, é um dos responsáveis pela história de Marvel’s Wolverine. Até podemos ver um pouco de suas influências no desenvolvimento de Logan ao longo da trama. O personagem é assombrado pelo seu passado e a fúria dentro de si e é interessante ver os desdobramentos disso ao longo da campanha. Seria fantástico se o restante da história tivesse a mesma qualidade e complexidade.
Visceral e repetitivo
Lembra aqueles jogos de PlayStation 2 que flertavam com mecânicas de brawler, como God Hand? Jogar Marvel’s Wolverine me lembrou bastante eles. As missões são lineares e quase todos os combates colocam grupos de inimigos lutando contra Logan em espaços curtos.
E a Insomniac felizmente entendeu muito bem o que um fã do personagem espera do combate, ao menos em partes. Ele é brutal e visceral, com Logan arrancando cabeças, pernas e braços. Temos vários setpieces que o corpo do personagem é quase completamente destruído, reforçando seu aspecto mitológico e o fator de cura!
O grande problema da jogabilidade é a repetição. Por boas horas, você vai estar usando os mesmos golpes, nos mesmos inimigos. E o pior, os inimigos quase sempre possuem o mesmo design visual, intensificando essa sensação de repeteco. Eu entendo que isso é relativamente comum, mas um AAA desse calibre e custo não ter uma tecnologia de geração de NPCs é incompreensível.
O combate melhora na medida que desbloqueamos novas habilidades, abrindo um leque maior de combos. Não consigo colocar em palavras o quanto é divertido atingir o nível 3 de Fúria com o Wolverine e simplesmente sair despedaçando todos os inimigos pelo caminho.
Um aspecto negativo reside nas animações de finalização. Elas são incríveis e reforçam a selvageria de Wolverine mas o problema acaba sendo a quantidade. Após 3-4 horas de jogo, você já vai ter visto praticamente todos os ataques finalizadores possíveis, intensificando o sentimento de repetição no combate.
E quando você pensa que não pode piorar, a situação se agrava. As lutas contra chefes são entediantes. Eles são mecanicamente pobres e até a construção artística da luta, como os aspectos que envolvem a arena e a trilha, estão em um nível aquém do que se espera para um jogo como esse.

Exploração e extras
As redes sociais foram inundadas de críticas em relação aos rastros do jogo e muitos reclamaram que o jogo parece guiar excessivamente o jogador. Isso acontece mas não chegou a me incomodar pelo simples fato de que o estúdio teve cuidado em explicar isso através da lore.
Logan tem audição e principalmente o olfato super avançados e em vários momentos da campanha precisamos justamente usar o olfato para encontrar alguém ou um objeto. Fora que é um jogo linear de herói com orçamento robusto, logo, minhas expectativas eram essas. Penso ser meio desconexo esperar que o jogo fosse mecanicamente complexo, nenhum dos projetos recentes da Insomniac tiveram essa proposta.

A duração de Marvel’s Wolverine é extendida através dos colecionáveis e das Portas do Pesadelo. As Portas do Pesadelo ficam no caminho principal da história e consistem em desafios de tempo, demandando que o jogador sobreviva a ondas de inimigos, complete um trecho de plataforma ou derrote alvos específicos. Os desafios são curtos e diretos ao ponto para que você não fique muito tempo longe da campanha.
Modo Pro brilha!
Os jogos dos estúdios pertencentes à PlayStation costumam brilhar muito no departamento técnico e Marvel’s Wolverine é mais um jogo nessa pilha. As opções de acessibilidade são bem vastas e o game conta com 2 modos focados no PS5 Pro. Eu joguei no Fidelidade Pro com VRR ativado e a experiência ficou lindíssima com um bom nível de fluidez.
A direção de cutscenes é um ponto forte do jogo. Como mencionei anteriormente no review, temos vários trechos em que Logan é praticamente destruído por completo, ficando praticamente em uma forma esquelética, lembrando o Exterminador do Futuro. Ver o fator de cura dele é bem legal.

Outro ponto que é muito reforçado nas cenas é a selvageria e brutalidade do Wolverine. É legal ver um contraste disso com Marvel’s Spider-Man, um herói propriamente dito. Logan não pensa duas vezes pra matar as ameaças em seu caminho e eu fiquei contente em ver que a Insomniac não desvirtuou isso de nenhuma maneira.
Review de Marvel’s Wolverine — Vale a Pena?
Apesar da repetitividade do combate e uma história que é completamente aversa aos riscos, Marvel’s Wolverine me divertiu durante as 18 horas. É um personagem que eu pessoalmente gosto muito mais do que o Homem-Aranha e vários elementos importantíssimos de Logan estão presentes no game, reforçados por uma interpretação fantástica do ator Liam McIntyre.
Eu só não consigo recomendar a compra do jogo pelo preço atual. A superficialidade de Marvel’s Wolverine é incompatível com o preço cobrado pela aventura. O ideal é aguardar uma promoção!
Marvel's Wolverine
7




