Duas décadas de espera podem ser cruéis para o legado de qualquer série, mas a Capcom provou, mais uma vez, que domina a arte de revitalizar clássicos.
Desde o lançamento de Dawn of Dreams, em 2006, os fãs da franquia aguardavam o retorno da saga, com muitos deles já desacreditados de que ela realmente voltaria algum dia.
Agora, Way of the Sword chega para voltar a brigar pelo trono dos jogos de samurai, porém, em um mundo onde existem Ghost of Tsushima e Sekiro, títulos concorrentes que conquistaram muitos fãs do gênero.
Será que a Capcom conseguiu criar uma obra com diferenciais suficientes para se destacar em um mês de setembro repleto de lançamentos? É isso que vou te contar nesta review.
Onimusha: Way of the Sword tem uma jornada cinematográfica e visceral
Geralmente, quem procura um jogo de samurai enfrentando monstros não está muito interessado na história, mas Way of the Sword é bastante competente nesse aspecto.
O enredo não possui ligações diretas com os jogos anteriores da saga e, desta vez, a responsabilidade de protagonizar a obra recai sobre Miyamoto Musashi, que ganha vida e trejeitos inspirados no lendário ator Toshiro Mifune.

A narrativa mergulha o jogador em uma versão de Quioto tomada por demônios Genma vindos diretamente do submundo. Musashi inicia a história procurando oponentes à altura, não apenas em busca de uma vitória pessoal, mas também como forma de aprimorar suas habilidades.
Outra figura recorrente no folclore japonês que também aparece na história do novo Onimusha é Sasaki Ganryu, uma espécie de “rival” de Musashi e um espadachim tão poderoso quanto o protagonista.

Após esse breve embate, Musashi ganha uma manopla mágica que possui um espírito em seu interior e tem a capacidade de se alimentar das almas de outros seres vivos.
Apesar de torná-lo muito mais poderoso, Musashi não gosta do objeto, já que considera a manopla um atalho para o poder e, portanto, algo desonroso.
No geral, gostei bastante da história, não apenas pela tradicional jornada do herói que Musashi irá enfrentar, mas também por todos os outros personagens que são introduzidos na trama ao longo do jogo.
A evolução do protagonista é guiada por coadjuvantes bem construídos, como a relação com Okuni, e o texto brilha ao equilibrar o alívio cômico e os dramas pessoais com bastante peso narrativo.
O vilão é um daqueles casos em que realmente temos uma figura maligna, podendo ser considerado o ponto mais alto de toda a trama.
A direção de arte e os valores de produção impressionam. As cenas renderizadas na RE Engine são ricas e trazem enquadramentos dignos dos grandes clássicos do cinema samurai, aliados a uma atmosfera de pavor bastante palpável.
Falar da RE Engine atualmente é quase chover no molhado. Todos os jogos construídos na engine são muito bonitos, desde a modelagem dos personagens até os cenários e, via de regra, também são bem otimizados, rodando bem nas plataformas.

A duração da campanha é boa e, caso você busque dominar os equipamentos e concluir todas as atividades, a jornada pode facilmente ultrapassar a marca das 30 horas.
A dança mortal das espadas
Satoru Nihei, diretor do projeto, disse em várias entrevistas que queria revitalizar Onimusha, mas sem necessariamente transformá-lo em um soulslike, gênero que se tornou um dos mais populares na última década.
E, realmente, Way of the Sword é muito mais próximo de um jogo de ação linear do que de um título de samurai desenvolvido pela Team Ninja ou por outra produtora focada no gênero.
A jogabilidade mescla elementos clássicos de hack and slash com algumas adições modernas. O personagem possui uma barra de vigor que, quando zerada, deixa o jogador mais vulnerável durante os combates.
A arma principal é a espada, mas também há um arco e flecha de uso padrão, além de armas para ataques especiais. A estrutura das missões é basicamente a de um jogo corredor, e isso não é algo negativo.
Pelo contrário, trata-se de uma experiência direta ao ponto que os fãs dos jogos mais antigos vão adorar, sem a necessidade de inserir elementos de metroidvania que muitos títulos de ação atuais tentam implementar.
O cenário é exatamente o que se espera de um Japão feudal, mas não se torna repetitivo, já que, ao longo da jornada, Musashi deixa de explorar apenas florestas e vilarejos, expandindo o leque de ambientações.

O combate em si é excelente, com o personagem tendo um ataque rápido com uma mão e um ataque pesado utilizando as duas.
Além disso, há o bloqueio e a mecânica de parry, que ocorre quando o bloqueio é ativado no momento exato do recebimento do ataque, gerando um contra-ataque poderoso.
Onimusha também possui uma mecânica de parry que, em vez de simplesmente bloquear no momento de receber o dano, permite que o personagem realize um ataque nesse instante, desviando do golpe do inimigo e causando um dano crítico.
Uma das reclamações da comunidade, que vem gerando debates, é a dificuldade do jogo. Ele não é particularmente difícil, já que Musashi é praticamente o grande chefe a ser enfrentado pelos inimigos comuns, o que torna as batalhas durante a exploração bastante fáceis.
Ao mesmo tempo, os chefes, com seus movesets absurdos, elevam bastante o nível do jogo, exigindo que o jogador memorize seus movimentos e, em alguns momentos, tenha vontade de arrancar os próprios cabelos.
Os chefes são muito bons, e cada design apresentado consegue ser ainda mais absurdo que o anterior.

No geral, achei a dificuldade equilibrada e acredito que ela deve agradar ao público geral, mesmo sabendo que uma parcela menor de jogadores poderá recorrer a mods no PC para aumentar o nível de desafio padrão.
Review de Onimusha: Way of the Sword – Vale a Pena?
Onimusha: Way of the Sword é a revitalização que a franquia precisava e, junto com Resident Evil Requiem, Pragmata e Monster Hunter Stories 3, fecha mais um ano forte da Capcom, que vive sua nova “era de ouro”.
Se o jogo vai concorrer às grandes premiações no final do ano ainda é uma incógnita, já que é difícil listar tantos jogos bons que foram lançados em 2026.
Mas, sem dúvidas, Onimusha: Way of the Sword merece sua devida atenção, especialmente para quem gosta de jogos de ação e quer uma aventura mais direta.
O jogo já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
Onimusha: Way of the Sword
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