Chegando pouco menos de 4 anos depois de A Plague Tale: Requiem, Resonance: A Plague Tale Legacy pegou todos os fãs da franquia da Asobo Studio de surpresa. A maior parte da comunidade esperava por uma sequência direta, e não por um prequel sem os dois protagonistas originais.
O jogo se passa 15 anos antes dos eventos de Requiem e coloca os jogadores no papel de Sophia, uma das personagens secundárias daquele título. Na trama, acabamos descobrindo que ela possui um envolvimento profundo com a Mácula, tema central dos dois jogos anteriores.
Mas será que esse elo misterioso é suficiente para justificar um jogo inteiro dedicado a essa história? É isso que você vai descobrir neste review de Resonance: A Plague Tale Legacy.
Perguntas sem respostas
O novo projeto da Asobo Studio é um prequel; logo, nenhuma experiência prévia com a franquia é necessária para aproveitar a aventura. É claro que o nível de imersão é maior para quem já conhece o universo de A Plague Tale, mas isso não chega a ser obrigatório.
Nos minutos iniciais, conhecemos um pouco do passado de Sophia. Quando criança, ela foi resgatada de um convento onde era submetida a experimentos. Esses testes permitiram que desenvolvesse habilidades especiais, levando-a a vislumbres de uma ilha misteriosa que abriga um grande tesouro.

Resonance não esconde sua natureza narrativa. Conquistei a platina em 14 horas, então não faz sentido detalhar cada trecho da jornada aqui. Contudo, devido a essa proposta mais compacta, o game peca em fazer o jogador se importar de verdade com a história, com o núcleo secundário e até mesmo com a própria Sophia.
Para atenuar essa falha, contamos com atuações excelentes. Anna Demetriou, que dá vida a Sophia, é o grande destaque narrativo. De início, fiquei receoso com as interações entre a protagonista e Leni, sua melhor amiga interpretada por Lisa Delamar. Felizmente, a troca de diálogos flui de maneira bem orgânica e não incomoda em nada.
Numa tentativa de conferir mais peso à trama, o estúdio bebeu da fonte da mitologia grega, envolvendo Creta, o Rei Minos, Teseu e o icônico Minotauro. O problema é que a releitura aplicada pela equipe não empolga, e o desfecho deixa inúmeras perguntas em aberto.
Não me leve a mal: a roupagem técnica de Resonance está absurda. As cutscenes são belíssimas e muito bem dirigidas, e a direção de arte é possivelmente a melhor da história do estúdio. Porém, o roteiro simplesmente não ressoou comigo. Eu já esperava que a jornada de Sophia tivesse um impacto emocional menor que o de Amicia e Hugo, mas confesso que não esperava ficar tão indiferente à trama.
Uma nova direção
Graças à personalidade impetuosa de Sophia e ao seu passado, a Asobo mudou radicalmente de direção no que diz respeito ao combate, que agora assume um papel de protagonista na experiência. Armada com espada e adaga, ela elimina brutalmente as tropas inimigas e saqueadores.
Surpreendentemente, a jogabilidade é responsiva e as finalizações lembram títulos como Ryse e God of War. O calcanhar de Aquiles aqui é a extrema simplicidade das lutas: temos à disposição apenas ataques normais, um golpe carregado, esquiva e parry. Não há opções robustas de combos, e Sophia usa o mesmo tipo de arma o jogo inteiro, variando apenas as lâminas e seus efeitos passivos.
A progressão segue a mesma linha minimalista. É possível adquirir braceletes e brincos que garantem bônus passivos, como a redução na chance de ser atingido por flechas. Na exploração, encontramos artefatos que praticamente não expandem a lore, além de pontos de ressonância — estes sim fundamentais para desbloquear novas habilidades.

Apesar de o combate ser mais frequente e agressivo, a equipe não abandonou os trechos furtivos, elemento-chave dos outros jogos. A “Criatura” persegue Sophia em vários capítulos, e qualquer passo em falso pode atrair o monstro, deixando a protagonista em maus lençóis.
Além da ação e da furtividade, o jogo aposta em momentos de perseguição no estilo Uncharted, entregando setpieces fantásticos. Graças à ótima resposta dos comandos, é extremamente prazeroso superar esses trechos!
Uma aula magna sobre arte
A Plague Tale: Requiem já era deslumbrante, mas a Asobo Studio conseguiu se superar com folga em Resonance. A Zouna, motor gráfico proprietário da equipe, foi aprimorada em diversos aspectos e apresenta visuais que beiram o fotorrealismo.
A direção de arte impressiona e arrisco dizer que é uma das melhores dos últimos anos. O estúdio utilizou o senso de escala para gerar um senso genuíno de esplendor em cada cenário inédito. Estátuas gigantescas, murais ricamente ornamentados e ruínas de vilarejos antigos dão o tom. Manter a variedade visual em um jogo ambientado em uma única ilha não era tarefa fácil, mas a desenvolvedora cumpriu a missão com maestria.

O level design também é intuitivo, evitando que o jogador fique empacado. Os quebra-cabeças, centrados no uso de luz e reflexos, são bem dosados e exigem raciocínio na medida certa. Para prevenir qualquer frustração, é possível consultar um livro de dicas a todo momento, além de receber orientações diretas dos aliados.
Além do banquete visual, o design sonoro merece aplausos. Olivier Derivière retorna com uma proposta totalmente inédita para a franquia. Nos dois primeiros jogos, a prioridade era evocar a melancolia da Idade Média; aqui, o esplendor de Creta e de seus guerreiros ganha o protagonismo. Vale destacar que Sophia não é frágil — ela é uma saqueadora letal e implacável, e os arranjos musicais refletem exatamente essa ferocidade.
No quesito desempenho, não enfrentei nenhuma queda de taxa de quadros ou problemas técnicos graves. Meu único percalço foi inusitado: toda vez que eu iniciava o jogo, os textos sumiam e só retornavam ao normal se eu mudasse o idioma e depois o voltasse para o original.
Review de Resonance: A Plague Tale Legacy — Vale a Pena?
Apesar da direção de arte espetacular e da trilha sonora impecável, Resonance: A Plague Tale Legacy acaba derrapando justamente no departamento onde mais se esperava excelência: a narrativa. Não é nem de longe um jogo ruim, mas carece do brilho e do impacto emocional que consagraram os seus antecessores.
Resonance: A Plague Tale Legacy
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