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Romeo is a Dead Man Review

PlayStation 5 Released: February 11, 2026
6
Bom

Romeo is a Dead Man tem ideias boas mas que acabam perdendo o brilho por uma execução problemática que escancara o orçamento compacto do jogo.

Ruan Almeida

maio 5, 2026

— uma iniciativa que me proporcionou surpresas excelentes, como Kingdom Come: Deliverance 2. Mantendo essa filosofia em 2026, decidi avaliar Romeo is a Dead Man, a mais recente aposta de Suda51, um dos diretores mais excêntricos e autorais da atualidade.

Abaixo, detalho minhas impressões sobre o game e respondo à principal dúvida: compensa investir o seu dinheiro nele logo no lançamento?

Um romance trágico no multiverso

Com uma premissa levemente inspirada no casal mais icônico de Shakespeare, o jogo apresenta Romeo, um policial que esbarra em uma jovem desmemoriada no meio de uma rodovia. A paixão é instantânea e o casal arquiteta um plano de fuga. Contudo, quando o dia chega, um ataque monstruoso deixa o protagonista à beira da morte.

Para salvá-lo, seu avô viaja do futuro e implanta nele um dispositivo que o transforma em um “Deadman” — um morto-vivo com capacidades físicas aprimoradas. É a partir desse evento que Romeo é recrutado por uma vertente alternativa do FBI, focada em rastrear e eliminar alvos de outras dimensões. Sendo uma aventura puramente singleplayer com cerca de 15 horas de duração, a trama é, sem dúvida, o grande alicerce da experiência.

O estilo de Suda51 transborda em cada cena: viagens temporais, referências afiadas à cultura pop e um humor bastante ácido. A ambientação adota uma estética vibrante que remete às histórias em quadrinhos, algo muito bem-vindo. Os antagonistas e coadjuvantes são maravilhosamente bizarros. Em meio a uma indústria saturada de projetos comerciais genéricos, a narrativa do jogo funciona como um oásis de criatividade.

Crise de identidade no combate

A ação tem sua base no hack’n slash, mas tenta incorporar mecânicas populares dos soulslikes, como o renascimento de inimigos ao utilizar pontos de controle e o posicionamento tático em batalhas contra chefões. Infelizmente, essa fusão não engrena. O título hesita entre abraçar o ritmo alucinante de Devil May Cry ou a cadência punitiva de Dark Souls, resultando em sistemas que parecem se sabotar mutuamente.

O arsenal disponível é interessante, dividindo-se em oito armas pautadas em arquétipos clássicos de RPG. Há quatro opções corpo a corpo (espadas ágeis de uma mão, montantes pesados, manoplas para velocidade e maças para área) e quatro de fogo (pistola, espingarda, metralhadora e bazuca).

Embora o impacto dos ataques seja satisfatório, o sistema de combate carece de profundidade e não oferece grandes variações de combos. Somando isso a uma baixíssima diversidade de inimigos, os confrontos se tornam exaustivos e repetitivos após as primeiras horas de campanha.

O combate ganha uma camada extra de carisma com duas mecânicas bastante peculiares:

  • Verão Sangrento: Uma habilidade especial ativada ao segurar o botão R1 assim que o jogador enche a barra de sangue (que se acumula ao golpear os oponentes). O grande charme desse ataque é a sua animação caprichada, que imita perfeitamente a estética vibrante das histórias em quadrinhos de super-heróis.
  • Cultivo de Bastardos: O título permite que você plante e colha seus próprios zumbis aliados em uma horta. Esses ajudantes podem ser invocados em batalha para causar efeitos que são tão úteis quanto cômicos — desde criar áreas de cura e disparar feixes de luz, até rolar como uma bola de boliche para atropelar fileiras inteiras de inimigos. O toque genial e inusitado fica por conta da trilha sonora que toca durante o gerenciamento dessa horta: uma música que remete inevitavelmente ao clássico forró brasileiro.

Evolução e Conteúdo Extra

O sistema de progressão é bastante direto. Inimigos derrotados deixam cair recursos (similares a esmeraldas) que são gastos na compra de itens e na melhoria dos atributos de Romeo através de um minigame curioso que imita o clássico Pac-Man. Já as armas podem ser aprimoradas do nível 1 ao 5 usando itens específicos chamados “Milezeros”.

As atividades paralelas foram integradas de forma inteligente ao loop de jogabilidade:

  • Palácio de Atenas: Fendas dimensionais com mapas procedurais, excelentes para farmar Milezeros.
  • Sala das Provações: Uma modalidade boss rush com limite de tempo para testar as habilidades do jogador.
  • Minigame de Culinária: A tarefa de preparar Katsu-Karê acaba sendo a exceção à regra. É uma mecânica superficial que frustra mais do que diverte.

Altos e baixos técnicos

Romeo is a Dead Man deixa evidente o seu escopo de projeto “AA”. As texturas dos cenários são de baixa qualidade e as expressões faciais durante as cinemáticas deixam bastante a desejar, quebrando parte da imersão. A direção de arte estilizada até consegue disfarçar algumas dessas falhas, mas não faz milagres o tempo todo.

O problema técnico mais grave reside no desempenho. Há quedas constantes e perceptíveis na taxa de quadros (framerate) quando muitos inimigos se acumulam na tela. Além disso, a movimentação do personagem é um tanto travada, o que atua como uma barreira para um jogo que deveria ter um combate mais fluido.

O level design também sofre de fortes inconsistências. A seção do Manicômio é um golpe de mestre, flertando brilhantemente com o gênero survival horror. No entanto, as outras fases lineares são recicladas à exaustão. Isso cria um contraste frustrante: as horas iniciais são fantásticas, mas do meio para o fim, o cansaço bate forte devido à repetição excessiva de cenários.

Apesar das derrapadas visuais, o departamento sonoro é um acerto em cheio. As atuações de voz encaixam perfeitamente com a personalidade dos personagens, e a trilha sonora original é um espetáculo à parte (especialmente o já citado forró dos zumbis).

Review de Romeo is a Dead Man: Vale a pena?

Com um universo carismático e um design de áudio impecável, Romeo is a Dead Man entrega uma excelente história, mas tropeça feio onde não devia: na repetição de cenários, na falta de polimento técnico e no combate enjoativo.

Por esses motivos, só recomendo a compra com um baita desconto. A decisão mais sensata é aguardar por atualizações que estabilizem a performance e esperar o título entrar em promoção. Caso você o encontre com um bom desconto, ou esteja em busca de uma porta de entrada para a mente brilhante e irreverente de Suda51, com certeza terá uma experiência que renderá boas memórias.

Romeo is a Dead Man

Score 6

Romeo is a Dead Man

Bom
Romeo is a Dead Man tem ideias boas mas que acabam perdendo o brilho por uma execução problemática que escancara o orçamento compacto do jogo.
Reviewed by Ruan Almeida
A copy of Romeo is a Dead Man (PlayStation 5) was provided for purposes of this review. View our review policy.
Written by
Ruan Almeida
Editor (Brazil)

Ruan está cobrindo a indústria dos games desde 2017, trazendo várias informações sob a ótica do mercado e reviews após o 100%. Quando ele não está escrevendo, está jogando algum…

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