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review high on life 2 - capa

High On Life 2 Review

PlayStation 5 Released: February 13, 2026
9
Excelente

A Squanch Games dobrou a aposta em sua originalidade, entregando um jogo super divertido, ousado e que corrige os pontos fracos do antecessor.

Ruan Almeida

fevereiro 12, 2026

A Squanch Games chocou, literalmente, o mundo quando High On Life foi lançado em 2022. Com um humor ácido, que se assemelhava a Rick and Morty, o estúdio apresentou uma história de um Caçador de Recompensas repleta de originalidade e ousadia.

Agora, 4 anos depois, o time retorna com a tarefa dificílima de se superar evitando repetições e reciclagem de ideias. Será que a Squanch Games conseguiu? É isso que você vai descobrir nesse review/análise de High On Life 2.

O lado “vermelho” da força

A premissa de High On Life 2 é direta ao ponto. O protagonista, temido por todos após destruir o cartel G3, descobre uma nova conspiração que pretende escravizar os humanos. Graças ao envolvimento de sua irmã, ele toma um partido e decide colocar um fim permanente na Rhea Farmacêutica, a companhia que pretende escravizar a humanidade.

No meio dessa trama principal, o personagem acaba quebrando o código dos Caçadores de Recompensas, tornando-se o alvo mais procurado da galáxia. Por ser uma sequência, a Squanch Games voltou a usar seus aspectos mais fortes na narrativa, e a segurança em seu próprio taco é evidente em cada trecho do jogo.

Os diálogos e o design de missões abraça ainda mais o “caos” que tornou o estúdio conhecido, com trechos bizarros (e hilários) que ultrapassam a barreira do que comumente é tido como absurdo.

Os novos chefes estão incríveis (Imagem: Ruan Almeida)

Na primeira hora do jogo por exemplo existe em uma cena em que precisamos aspirar um “pó branco” enquanto festejamos com um outro personagem. Tudo isso visando entrar em um iate de um ricaço que é um dos principais financiadores da farmacêutica.

O design das missões deu um salto absurdo em relação ao anterior e as referências à cultura pop continuam. A Squanch Games provou que seu arsenal é vasto e que é capaz de adaptar praticamente tudo pro contexto de High On Life.

E não foi só o conteúdo principal que recebeu incrementos consideráveis. O conteúdo opcional acompanha esse up de qualidade. As interações orgânicas nos mapas estão ainda mais hilárias, o que acaba servindo como um ponto de apoio importante no incentivo à exploração.

O jogo conta com textos localizados para o nosso idioma e, felizmente, não exige nenhum conhecimento prévio sobre o título anterior. É claro que é recomendável que você jogue o 1 antes pra aproveitar mais a sequência mas não é algo obrigatório.

Tony High On Life Hawks

Imagine a fusão dos seguintes jogos: DOOM, Tony Hawk’s Pro Skater e Destroy All Humans!. Conseguiu imaginar? Essa é a descrição perfeita de High On Life 2.

A grande novidade na sequência está na movimentação. Agora o jogador anda com um skate, tornando a exploração e o combate ainda mais rápidos. Se no 1 se mexer constantemente era uma peça central para a sobrevivência, isso foi potencializado ao máximo aqui.

Um aspecto que achei interessante é que o skate não tem valor apenas na exploração. Na medida que coletamos letras (no maior estilo Tony Hawk’s), podemos comprar melhorias para o skate que vão desde espinhos até minas explosivas acopladas.

A aderência é fundamental na exploração (Imagem: Ruan Almeida)

Graças à essa mudança impactante no game design, a verticalidade se faz ainda mais presente no jogo. O que o estúdio fez aqui é assustador, no sentido positivo da coisa. A responsividade do skate, as manobras, a fluidez do movimento e principalmente o impacto ao realizar coisas como derrapar em parapeitos, tudo está muito bem feito, tornando o simples ato de andar no mapa algo extremamente prazeroso.

Por falar em mapa, o design está bem mais aberto, mas temos vários hubs que não estão interligados entre si, tornando necessário o uso da viagem rápida. Como mencionei acima sobre a verticalidade, ela também é reforçada no posicionamento dos baús hilários que guardam moedas e itens colecionáveis.

As armas novas, como o Coldre, estão ainda mais conectadas com os puzzles dos ambientes e com a progressão nas missões principais. As adições são hilárias e principalmente prazerosas. O Coldre por exemplo funciona como uma submetralhadora semiautomática capaz de arremessar lanças de choque. Temos até uma pokébola com o meio-irmão do protagonista dentro que funciona como uma granada (é serio!).

O Coldre é um dos novos Gatlians (Reprodução: Squanch Games)

Um ponto que o título ainda carece de melhorias é na variedade de inimigos comuns. Temos novas facções, sim, mas a modelagem de adversários ainda se repete muito, e, por ser um shooter, isso torna a aventura repetitiva em longas sessões de jogatina.

Felizmente a Squanch Games também ouviu o feedback dos jogadores no que diz respeito aos encontros contra os chefes. Agora eles tiveram sua lore expandida e as lutas estão mecanicamente ricas. E coloque ricas nisso. A luta contra o Senador Muppy Doo é absurdamente criativa, sem dúvidas uma das boss fights mais icônicas que eu já tive o prazer de jogar.

Um verdadeiro playground

Como o design do mapa de High On Life 2 está mais aberto, temos novas atividades secundárias. Algumas estão conectadas com a progressão e outras são meramente divertidas.

Minha atividade predileta são os Desafios de Skate das crianças. Nos desafios, precisamos coletar 10 letras dentro de um limite de tempo, no maior estilo Tony Hawk’s Pro Skater. Essas letras podem ser usadas para comprar peças especiais na loja clandestina de skates.

Como o protagonista está sendo procurado pelos Caçadores, também podemos arrancar o cartaz de procurado dos lugares, acionando um pequeno segmento de combate contra tropas de caçadores adversários. Essa atividade concede uma boa quantia de dinheiro, servindo para comprar upgrades para os tanques de vida e escudo, além, claro, de mods para as armas.

Mas como falei acima, temos outras atividades que foram construídas meramente por diversão. Podemos participar de Escape Rooms, apostar dinheiro em uma arena de mercenários (e influenciar no resultado da luta), participar de corridas de Skate, experimentar jogos arcades clássicos e muito mais.

Os Escape Rooms são hilários (Imagem: Ruan Almeida)

As atividades secundárias mostram que o estúdio pensou em coisas divertidas, que condizem não somente com o DNA da franquia mas com a própria inclinação pessoal da equipe. Isso ajuda a garantir uma originalidade e diversidade que muitos jogos não apresentam.

Quedas fazem parte do crescimento

Tecnicamente falando, High on Life 2 escancara que ter um escopo mais aberto e adicionar uma mecânica de skate custou caro para o jogo.

Durante a minha jogatina, tive vários problemas, nenhum grave mas que foram grandes o suficiente para causar interrupções na experiência. Tive um crash durante a missão principal, quedas de frames pontuais e as armas sumiram das mãos do personagem algumas vezes.

Andar de Skate por aí é prazeroso demais (Imagem: Ruan Almeida)

Boa parte dos problemas foram resolvidos com um reload no checkpoint, contudo, eles entregam que o game carece de mais otimização. Vale mencionar que eu joguei em antecipado, logo, um patch de lançamento pode sanar todos esses problemas.

Saindo dos problemas técnicos e entrando na direção de arte, o estúdio apostou bastante no conceito do “time que está ganhando não se mexe”. High On Life é um jogo espalhafatoso e isso é reforçado pela predominância de cores vibrantes, tanto no mundo quanto no design dos personagens. Por falar em personagens, temos um contato ainda maior com espécies novas de aliens e o retorno de figuras emblemáticas do primeiro jogo.

Todo o trabalho na parte sonora continua impecável e os novos dubladores dos Gatlians estão estupendos, realizando um casamento perfeito entre voz e personalidade das armas. Por falar em casamento, os diálogos entre Jan e seu marido são absurdamente engraçados.

High On Life 2 é um jogo muito coeso e isso se dá por conta da parte narrativa magistral que dita o tom e o DNA da franquia. Os diálogos estão ainda mais hilários e ousados, reforçando a clara confiança conquistada com o sucesso do primeiro título e a formação de uma base de fãs que entendem a proposta do estúdio.

Review de High On Life 2 – Um jogo necessário

Em meio a tantos estúdios apostando excessivamente no seguro, criando projetos que quase não possuem nenhum grau de personalidade, a Squanch Games pega seu skate e parte em uma direção completamente oposta. High On Life 2 é quase como um grito de independência com o estúdio ecoando quem eles são e o que eles gostam de fazer.

Repleto de originalidade, ideias caóticas que surpreendentemente funcionam e se conectam e uma dose cavalar de diversão, High On Life 2 é a pura síntese do videogame. Ele pode até não conquistar o prêmio de melhor jogo do ano, mas vai ser bem difícil experimentar um título mais divertido e hilário do que a sequência da Squanch Games.

High On Life 2

Score 9

High On Life 2

Excelente
A Squanch Games dobrou a aposta em sua originalidade, entregando um jogo super divertido, ousado e que corrige os pontos fracos do antecessor.
Reviewed by Ruan Almeida
A copy of High On Life 2 (PlayStation 5) was provided for purposes of this review. View our review policy.
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