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Duskfade Review

PlayStation 5 Released: August 13, 2026
9
Excelente

Duskfade é um impressionante jogo de plataforma indie que homenageia os clássicos do gênero com controles precisos, mecânicas variadas e uma narrativa surpreendentemente madura. Apesar desses pontos fortes, a experiência é prejudicada por um sistema de combate repetitivo e pela necessidade de um backtracking cansativo que vai frustrar quem for coletar todos os itens.

Ruan Almeida

agosto 13, 2026

Eu cresci com o privilégio de jogar títulos como Jak and Daxter, Ratchet and Clank, Kingdom Hearts… Foram incontáveis dias (e noites) em que eu ficava imerso e maravilhado com mundos incrivelmente divertidos, móveis e com aquele sentimento familiar de fábula. Essa paixão permaneceu comigo até hoje, e o gênero de plataforma continua sendo meu predileto.

Anos passaram e eu me deparei com um trailer empolgante de Duskfade, um novo projeto do estúdio Weird Beluga, empresa responsável por outro game que me divertiu muito: Clid the Snail. O marketing do game o vendeu como uma “carta de amor aos jogos clássicos de plataforma e ação 3D.”

Em um primeiro momento, eu julguei o marketing pretensioso; afinal, faz bons anos que um jogo do gênero não consegue captar com precisão o sentimento e, principalmente, a qualidade daqueles títulos de outrora. Mas, felizmente, eu pude jogar Duskfade de maneira antecipada e comprovar, em primeira mão, que o jogo entrega exatamente aquilo que promete!

Nesse review completo de Duskfade, irei abordar todos os pontos que me fazem considerar o projeto como um dos melhores exemplares do gênero desde o lançamento de Ratchet and Clank: Rift Apart. Já fazendo um disclaimer desde o começo: não considero propriamente Astro Bot porque ele puxa mais para o lado da coleta do que para a ação/combate propriamente dito. É como se o projeto da Team Asobi pertencesse a um subgênero diferente.

Uma história impactante escondida em um “jogo infantil”

Em um primeiro momento, você acredita fielmente que Duskfade é mais um daqueles jogos que miram o público infantil. A narrativa é repleta de diálogos e momentos galhofas entre Zirian e Allira. Os dois irmãos acabam sendo separados por um evento sem precedentes que coloca Zirian em uma jornada de autodescoberta e, principalmente, de crescimento.

Apesar da roupagem infantil, a história lida com temas complexos presentes no nosso cotidiano. O que a Weird Beluga faz com o enredo é fantástico. Alguns desses temas são pesados; contudo, cientes do público-alvo mais novo, eles lidam com os assuntos de maneira cuidadosa, sem subestimar a inteligência de quem joga.

É comum termos jogos de ação e plataforma com uma história mais bobinha, sem grande impacto ou que puxa muito mais para o lado fantasioso, mas os fortes paralelos com o mundo real dão um charme a mais (e muito bem-vindo) a Duskfade. Outro ponto forte é a relação entre os dois irmãos e o desenvolvimento de personagens.

A história evolui muito bem (Imagem: Ruan Almeida)

O Zirian que conhecemos e controlamos no começo da aventura é um, e o do fechamento do game é outro. São poucos os games que conseguem entregar um bom senso de evolução de personagem, ao menos narrativamente falando, de maneira tão acertada. Por um momento, eu me vi pensando em minha própria jornada de crescimento e em como foi a transição da minha juventude para a vida adulta. Foi uma grande surpresa ver um jogo de plataforma conseguir essa proeza.

A jornada tradicional do herói se faz presente aqui, mas com uma estética visual e sonora de fábula, o que, na minha visão, casou perfeitamente com a proposta do game. É como se estivéssemos jogando um livro ilustrado para crianças de 8 a 12 anos, mas, reforçando, o estúdio transita muito bem entre a galhofa e os momentos sérios.

Um feito impressionante para um “indie”

Segundo a página do estúdio no LinkedIn, eles possuem entre 2 e 10 funcionários; logo, trata-se de um time bem enxuto. O que eles entregam em Duskfade é simplesmente impressionante para uma equipe desse porte. Variedade é a palavra-chave aqui. Ao longo das cerca de 9 a 10 horas que levam para zerar o game, somos introduzidos constantemente a novos inimigos, mecânicas e habilidades, não só de combate, mas também de travessia.

O segredo para essa entrega é que a Weird Beluga não se propõe a reinventar a roda. As habilidades de travessia, por exemplo, são comuns ao gênero. Temos asas para planar, um dispositivo que lembra um gancho para alcançar locais mais altos e um escudo que permite deslizar em trilhos… São elementos que já vimos em outros games, mas que foram cuidadosamente inseridos dentro do universo clockpunk de Duskfade. Além das mecânicas, que aparecem em um ritmo excelente, temos uma quantidade generosa de tipos de inimigos, um level design engenhoso que se renova a cada mapa, biomas bem variados que apresentam uma paleta de cores vibrantes e, claro, chefes muito bem elaborados.

Os cenários do jogo são belíssimos (Imagem: Ruan Almeida)

A equipe claramente gastou horas e horas pensando nas mecânicas do game. A prova disso é que elas foram brilhantemente integradas às batalhas contra os chefes principais. Por exemplo, você conseguiu a habilidade de planar com asas? Prepare-se para usar essa habilidade constantemente na luta contra o chefe principal da área.

O level design, na maior parte do tempo, é brilhante, incentivando o uso mesclado dessas habilidades e até da movimentação para alcançar baús e progredir. Por exemplo, logo no primeiro mapa, eu avistei um baú que claramente exigia uma habilidade que eu ainda não tinha. Contudo, graças à jogabilidade precisa e ao bom nível de mobilidade, consegui acionar uma cadeia de ataques no meio do ar que aumentou levemente minha altura e tornou possível abrir o baú, mesmo sem teoricamente conseguir naquele momento.

Eu costumo pensar e afirmar que um bom jogo de plataforma precisa de controles com precisão cirúrgica e, felizmente, Duskfade entrega isso muito bem. É simplesmente divertido e prazeroso pular, correr, esquivar e planar no game, e os comandos são super responsivos. Eu fiquei surpreso com a dificuldade natural de algumas seções de plataforma, fator este que só prova que os desenvolvedores realmente quiseram prestar uma homenagem aos games clássicos.

Chefes apresentam uma boa dose de desafio (Imagem: Ruan Almeida)

Temos trechos de plataforma desafiadores na medida certa e batalhas contra chefes que me deram um pouco de trabalho, mesmo na dificuldade normal. Por falar em batalhas, esse é um dos dois únicos pontos negativos que eu encontrei em Duskfade. O combate permite que a gente use uma espada para ataques leves e um pêndulo para ataques pesados. Além disso, temos habilidades ativas, como uma mina terrestre, uma explosão que lembra um tiro de escopeta, uma barreira protetora explosiva e uma magia que invoca mísseis teleguiados.

Apesar dessa aparente variedade, o combate se torna repetitivo em poucas horas de jogo por conta da ausência de combos para a espada leve, o ataque mais utilizado. Faltou ter mais opções de armas principais para afastar o sentimento de repetição ou a possibilidade de criar combos complexos.

Uma maratona cansativa

Agora que falei de um dos dois problemas que mais me incomodaram em Duskfade, chegou o momento de falar sobre o segundo. Em jogos de plataforma, ir atrás dos colecionáveis é uma parte fundamental da experiência. Na aventura protagonizada por Zirian, esses colecionáveis incorporam bem a temática do jogo. Podemos coletar lingotes, que alteram a aparência da espada que serve como arma principal.

Podemos resgatar felinos que, ao serem devolvidos, desbloqueiam novas skins para o personagem e, um dos meus prediletos: as moedas. Essas moedas são usadas para comprar figurinhas e cartas colecionáveis destinadas a completar o álbum do jogo. Em resumo, essas atividades são bem divertidas; contudo, o que não é divertido é o backtracking necessário para pegar os colecionáveis.

Álbum da Copa feelings (Imagem: Ruan Almeida)

O game carece de um sensor ou de um mapa, exigindo que o jogador praticamente refaça cenário por cenário caso busque os 100%. Se você for um jogador como eu, que não tem uma memória espacial excepcional, a caçada pelos colecionáveis acaba se tornando um martírio. Esse problema é agravado pelo fato de que você não consegue pegar os objetos na primeira visita ao mapa, pois eles quase sempre demandam habilidades que só são desbloqueadas em um momento posterior da história.

Para diminuir um pouco a dor do processo, a equipe adicionou uma habilidade de fim de jogo que permite ao jogador retornar para o ponto de viagem rápida mais próximo; contudo, isso por si só não é suficiente para tornar a caçada aos colecionáveis uma atividade prazerosa.

Review de Duskfade – Vale a pena?

Se você sente saudades de jogos como Ratchet and Clank, Sly Cooper e Jak and Daxter, eu arrisco a dizer que Duskfade é praticamente obrigatório. Com uma narrativa surpreendentemente profunda, um combate com bom senso de peso, controles super responsivos, um nível de dificuldade bem dosado e uma boa dose de diversão despretensiosa, o game é um prato cheio para quem busca um projeto feito com alma.

Duskfade

Score 9

Duskfade

Excelente
Duskfade é um impressionante jogo de plataforma indie que homenageia os clássicos do gênero com controles precisos, mecânicas variadas e uma narrativa surpreendentemente madura. Apesar desses pontos fortes, a experiência é prejudicada por um sistema de combate repetitivo e pela necessidade de um backtracking cansativo que vai frustrar quem for coletar todos os itens.
Reviewed by Ruan Almeida
A copy of Duskfade (PlayStation 5) was provided for purposes of this review. View our review policy.
Written by
Ruan Almeida
Editor (Brazil)

Ruan está cobrindo a indústria dos games desde 2017, trazendo várias informações sob a ótica do mercado e reviews após o 100%. Quando ele não está escrevendo, está jogando algum…

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