Teve início na França o julgamento de três ex-executivos da Ubisoft, acusados de assédio sexual, tentativa de agressão sexual e abuso psicológico.
Serge Hascoët, Tommy François e Guillaume Patrux compareceram ao tribunal em Bobigny, nos arredores de Paris, para o começo das sessões de um julgamento que se estenderá pela semana. Durante o processo, três homens e seis mulheres testemunharão sobre as experiências que vivenciaram com os três acusados enquanto trabalhavam na empresa.
Em 2020, quando as alegações se tornaram públicas, o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, declarou que a empresa estaria “comprometida a implementar mudanças profundas em toda a Companhia para melhorar e fortalecer nossa cultura de trabalho”.
Aviso: Descrições de assédio sexual, agressão e abuso geral.
Hascoët, de 59 anos, ex-diretor de criação da Ubisoft, renunciou após as denúncias. De acordo com a ação judicial, ele é acusado de várias instâncias de assédio sexual e bullying. Conforme o processo, Hascoët teria dito, em uma sala de reunião com outras pessoas presentes, que deveria ter relações sexuais com uma funcionária sênior para “acalmar” a mesma. Ele também é acusado de ter perguntado a uma funcionária muçulmana se ela apoiava o Estado Islâmico após o ataque mortal em Paris em 2015. A mesma mulher também teve o papel de parede de seu computador alterado para um sanduíche de bacon durante o Ramadã.
Existem outras alegações contra Hascoët.
Patrux, ex-diretor de jogos, acusado de assédio psicológico e demitido após uma investigação, é apontado por ter feito mimicas de agressões contra funcionários da Ubisoft, socado paredes, estalado chicotes perto dos rostos de empregados e ateado fogo na barba de um homem, entre outras acusações.
Embora todas as acusações sejam graves, François parece enfrentar as mais severas. A ação judicial alega que, entre janeiro de 2012 e julho de 2020, o ex-vice-presidente de serviços editoriais e criativos reproduzia filmes pornográficos em escritório aberto, além de fazer comentários regulares sobre a aparência de funcionárias da Ubisoft.
Também é alegado que ele forçou uma funcionária recém-contratada a plantar bananeira no escritório enquanto usava saia. Ele também é acusado de amarrar essa mesma funcionária a uma cadeira, colocá-la em um elevador e enviá-la para um andar diferente.
Por fim, François é acusado de tentativa de agressão sexual, na qual ele teria tentado beijar à força uma jovem funcionária durante uma festa de Natal, enquanto ela era segurada por outros colegas. No processo, a mulher afirma que conseguiu se soltar e se sentiu “traumatizada” pelo ocorrido.
François também foi demitido após uma investigação sobre seu comportamento.
Antes dos registros legais, investigadores do caso teriam descoberto que várias pessoas se recusaram a apresentar qualquer tipo de queixa por medo de repercussões.
Todos os três réus negaram as alegações contra eles.
Conforme o The Guardian, o advogado de Hascoët afirmou: “Serge Hascoët nega categoricamente ter assediado um único colega. Ele nega qualquer conhecimento de atos repreensíveis cometidos por colaboradores na Ubisoft e não recebeu nenhum relatório sobre isso.”
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