Uma nova polêmica envolvendo a EA está ganhando força, desta vez relacionada à franquia College Football.
College Football 27 foi lançado em 2 de julho para os assinantes do plano MVP+, de US$ 150, e, embora o gameplay tenha recebido elogios, a comunidade está revoltada com uma decisão que muitos consideram um grande exagero por parte da empresa.
Os jogadores que já estão com o game há uma semana descobriram que a EA adicionou microtransações aos principais modos single-player, Dynasty e Road to Glory.
A novidade não foi comunicada previamente aos fãs nem aos criadores de conteúdo que participaram de um evento de prévia realizado em junho, em Chicago.
Jogadores podem gastar mais do que o preço do próprio jogo
Embora as microtransações façam parte da indústria há muitos anos, essas novas opções geraram forte reação da comunidade.
Agora, é possível gastar dinheiro real para evoluir seu técnico ou jogador, dependendo do modo escolhido.
No modo Dynasty, por exemplo, levar um treinador diretamente ao nível máximo custa US$ 100, valor superior ao preço da edição padrão do jogo.
O principal motivo da insatisfação, no entanto, é uma mudança feita pela EA ao mesmo tempo em que introduziu essas compras.
Em College Football 25 e College Football 26, os jogadores podiam ajustar controles deslizantes (sliders) para aumentar a quantidade de XP recebida.
Isso permitia evoluir mais rapidamente sem a necessidade de longas horas de jogo. Em College Football 27, essas opções foram removidas.
Agora, a única forma de acelerar a progressão é pagando.
Criadores de conteúdo criticam decisão da EA
Nas últimas 24 a 48 horas, diversos criadores de conteúdo — incluindo participantes do programa oficial de criadores da EA — passaram a criticar publicamente as novas microtransações.
O criador Bordeaux publicou o primeiro vídeo sobre o assunto e lançou a hashtag #CFBPlayDontPay, que chegou ao 9º lugar entre os assuntos mais comentados dos Estados Unidos.
“Vocês não podem simplesmente colocar microtransações escondidas, deixar nós, criadores, super empolgados para jogar, não dizer absolutamente nada durante o evento em Chicago e esperar que todo mundo continue feliz e animado com o jogo.”
Outros criadores também publicaram vídeos condenando a decisão da EA e pedindo uma resposta oficial da empresa.
Até o momento, a EA não se pronunciou publicamente. No entanto, segundo o Insider Gaming, os desenvolvedores estão cientes da repercussão, e um novo blog oficial da equipe é esperado para quinta-feira, 9 de julho.
Mudanças fazem parte de uma estratégia maior
Essa decisão não pode não ter acontecido por acaso.
No ano passado, foi anunciado que a EA seria adquirida por um grupo formado pelo Saudi Arabia Public Investment Fund (PIF), Affinity Partners e Silver Lake em um acordo avaliado em US$ 55 bilhões.
A negociação, inicialmente prevista para ser concluída até 30 de junho de 2027, ainda não foi finalizada. Quando for concluída, a empresa deixará de ser negociada em bolsa e assumirá cerca de US$ 20 bilhões em novas dívidas.
De acordo com fontes ouvidas pela Insider Gaming, a EA vem estudando novas formas de monetização para praticamente todas as suas franquias:
- College Football 27, com microtransações nos modos single-player;
- UFC 6, que deverá receber expansões pagas pela primeira vez;
- Madden 27, que também contará com mais formas de monetização;
- EA Sports FC, que deverá expandir esse modelo por meio do novo modo The Grounds.
As mesmas fontes afirmam que até futuros jogos exclusivamente single-player da EA deverão receber novas opções de monetização.
Desenvolvedores também estariam insatisfeitos
Segundo pessoas que trabalham em College Football 27 e conversaram com a Insider Gaming sob condição de anonimato, muitos desenvolvedores ficaram “furiosos” ao saber da implementação dessas microtransações.
As fontes afirmam que a reação negativa dos jogadores já era esperada internamente e que havia preocupação de que ela fosse “a maior já vista”.
Ainda assim, essas mesmas pessoas acreditam que a EA dificilmente mudará seus planos.
“Infelizmente, não importa o tamanho da repercussão. Talvez coloquem algum remendo para acalmar os jogadores no curto prazo, mas novos custos para os jogadores continuarão sendo adicionados daqui para frente.
A mensagem sempre será: ‘Você não precisa gastar dinheiro se não quiser’.”
A EA não respondeu ao pedido de comentário enviado pela Insider Gaming antes da publicação da reportagem.
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